Basília Rodrigues
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Coluna da Basília

Basília Rodrigues gosta de apurar e explicar. Jornalista há 18 anos, é especializada na cobertura de Política e Judiciário. Venceu Troféu Mulher Imprensa, +Admirados Jornalistas Brasileiros, Prêmio Especialistas, NaTelinha/UOL e Engenho.

Política

Apesar da negativa de Vorcaro, aonde perguntas da PF querem chegar?

Relações políticas, encontros com Ibaneis Rocha, dúvidas sobre vazamento de informações e desvio de recursos para fora do Brasil elencam pontos da investigação

Imagem da noticia Apesar da negativa de Vorcaro, aonde perguntas da PF querem chegar?
Fachada do Banco Master | Reprodução/SBT Brasil - 31.12.2025
Basília Rodrigues

As perguntas feitas a Daniel Vorcaro, dono do Master, em depoimento divulgado nesta sexta-feira (23), revelam o mapa da investigação.

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A autoridade policial, com base em questionamentos próprios e também naqueles encaminhados pelo gabinete do relator Dias Toffoli, expõe algumas suspeitas da investigação.

As relações políticas de Vorcaro são a principal dúvida. O nome do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), é abordado inicialmente por quem pergunta, a delegada federal Janaína Palazzo, e não pelo depoente. O banqueiro não viu outra alternativa senão admitir as conversas e encontros que já teve com Ibaneis, ainda que minimize e diga que estabeleceu tratativas técnicas sobre o negócio entre Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Após a divulgação, o governador negou e chegou a dizer que entrou mudo e saiu calado de um encontro com Vorcaro.

Saber o quanto Vorcaro estava por dentro da estrutura de crédito que a investigação considera, no mínimo, irregular, é outra frente da apuração.

Vorcaro cita o nome do ex-sócio Augusto Lima como responsável pela criação do setor de crédito consignado. O empresário baiano, também conhecido como Guga Lima, tem proximidade com políticos.

“Eu, como presidente, obviamente não entrava nos detalhes, seja da originação, seja de qualquer questão operacional do consignado, mas eu participava sempre das transações que a gente fazia, que a gente passou a fazer desde 2020 ou 2021, de cessão de carteiras para investidores”, explicou.

Vorcaro negou fraude no banco, mas boa parte das perguntas falavam apenas disso. Parece difícil para investigação acreditar que a negociação do Master com o BRB não contou com facilitação política, e que o banco — agora extinto — tentou atrapalhar o trabalho de fiscalização do Banco Central.

Em várias respostas, Vorcaro apontou fragilidade no processo de liquidação realizado pelo BC e lançou desconfianças sobre possíveis razões políticas da autoridade monetária.

Novamente, as perguntas acabam falando mais do que as respostas nesta etapa da investigação. A PF esclarece que o depoimento não tem relação com a liquidação do Master, o que aponta para impossibilidade de reversão do processo do BC por meio desta apuração. O procedimento estaria em discussão em outros lugares. “Nós não vamos entrar, nós não vamos nos aprofundar nisso. Eu acredito que o senhor

esteja discutindo isso em outras esferas”, informou a PF.

A polícia também indaga Vorcaro se ele teve algum “pressentimento” sobre sua prisão, em novembro. Ele nega. A investigação demonstra suspeita diante da sincronicidade de Vorcaro tentar pegar voo para Dubai justamente quando a investigação de fraude no banco alcançava patamares mais altos.

“O senhor possui bens, contas ou investimentos no exterior? Em caso afirmativo, peço que os discrimine”, esse gancho demonstra desconfiança com a reserva de recursos ilegais em contas em paraísos fiscais.

Vorcaro diz: “não consigo me recordar de todas as contas que eu possuo. Eu possuo a holding do banco, que era proprietária do banco, nas Ilhas Cayman. Tinha sido estruturada lá. E algumas contas correntes. Não me recordo de outra coisa”.

Para investigação, nem todo dinheiro supostamente obtido a partir de transações ilegais estaria em contas correntes, mas foi transformado em bens. Depois dos depoimentos no fim de 2025, bens e recursos do grupo foram bloqueados como forma de compensar parte do rombo.

A delegada chega a perguntar se Vorcaro tem casa em Miami, que seria estimada em meio bilhão de reais.

Ele nega ser dono, mas admite alugar imóvel luxuoso: “Não. Apesar da mídia ter anunciado, não tem. Tenho locação de um imóvel”.

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