Justiça

Toffoli admite a colegas do STF que é sócio de empresa que vendeu resort a fundo ligado a Vorcaro

Ministro é alvo de procedimento interno que pode afastá-lo da relatoria do caso Master, após relatório da PF mostrar mensagens que aproximam Toffoli de Vorcaro

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Basília Rodrigues

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), admitiu a colegas da corte que é sócio da Maridt, junto com seus irmãos. A empresa vendeu sua parte do resort a um fundo gerido pelo cunhado de Daniel Vorcaro, o pastor Fabiano Zettel, em 2025.

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O resort Tayayá, quando era administrado pela família de Toffoli, também recebeu R$ 20 milhões em investimentos do fundo Arleen, da Reag Investimentos, ligada às fraudes do caso Master.

De acordo com interlocutores, o ministro contou sobre a sociedade e defendeu a legalidade da sua atuação empresarial. Toffoli afirmou não ser sócio-administrador, que é um formato de controle vedado por lei aos magistrados.

Segundo pessoas que ouviram o ministro falando sobre o caso, ele seria um sócio anônimo, registrado oficialmente, mas o tipo de empresa escolhido pela família permite que somente o nome do administrador fique público.

Como sócio, Toffoli também participa da divisão de lucros da empresa, portanto. Segundo o ministro disse aos colegas, os valores recebidos por ele foram declarados.

A Polícia Federal apresentou ao presidente da corte, Edson Fachin, conversas localizadas no celular do banqueiro Daniel Vorcaro com menções a Toffoli e ao resort. Fachin abriu um procedimento para analisar a suspeição do ministro, o que pode afastá-lo da relatoria do caso.

No dia 4 de fevereiro, primeira sessão do plenário do STF, Toffoli fez uma fala rápida durante análise de ações que discutem regras para a participação de magistrados nas redes sociais.

O ministro Alexandre de Moraes entrou no assunto primeiro. Disse que ministros podem ser sócios de empresas e podem receber por palestras. No meio dessa fala, Toffoli fez um aparte.

“Se ele tem um pai ou mãe acionista de uma empresa, dono de uma empresa ou de fazenda? Vários magistrados são fazendeiros, são donos de empresas, e eles, não excedendo a administração, têm todo o direito de receber seus dividendos. São proibidos de fazer a gestão”, afirmou.

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