PF pede a Fachin suspeição de Toffoli para conduzir inquéritos sobre Banco Master
Polícia Federal encontrou no celular do banqueiro conversas com ministro responsável pelo caso no STF


Cézar Feitoza
A Polícia Federal enviou ao presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, um pedido de novas investigações sobre o Banco Master após identificar no celular do banqueiro Daniel Vorcaro conversas com o ministro Dias Toffoli.
No novo documento, a PF pede ainda a suspeição de Toffoli para conduzir os inquéritos sobre o Banco Master. Em nota, o ministro diz que o pedido é baseado em "ilações" da Polícia Federal.
Fachin entrou em contato com Toffoli para tratar do assunto, segundo uma fonte com conhecimento do assunto. Toffoli deve se manifestar em breve sobre o pedido.
Fachin ainda pode pedir uma avaliação da PGR (Procuradoria-Geral da República) antes de decidir se o caso deve permanecer com o atual relator do processo.
Toffoli tem negado nos bastidores haver motivos para deixar o caso. Em nota, o ministro-relator disse que a Polícia Federal não pode apresentar pedidos de suspeição ao Supremo.
"O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte", afirma a nota.
Toffoli argumenta, com a nota, que a alegação de suspeição é ilegítima porque foi apresentada por uma das partes interessadas do processo. Na visão do ministro, o pedido caberia à PGR ---que negou a sua retirada do caso.
Os novos documentos da Polícia Federal, com o pedido de novas investigações e a suspeição de Toffoli, foram entregues pessoalmente a Fachin pelo diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, na última segunda-feira (9). As informações foram reveladas pelo Uol e confirmadas pelo SBT News.
A atuação do ministro Dias Toffoli nos inquéritos envolvendo o Banco Master tem sido questionada por juristas e integrantes da PF e do Banco Central.
Leia nota de Dias Toffoli na íntegra
"O gabinete do Ministro Dias Toffoli esclarece que o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de ilações. Juridicamente, a instituição não tem legitimidade para o pedido, por não ser parte no processo, nos termos do artigo 145, do Código de Processo Civil. Quanto ao conteúdo do pedido, a resposta será apresentada pelo Ministro ao Presidente da Corte."









