Análise: Barbosa desistiu de corrida sem espaço para ele
Ex-ministro ficou entusiasmado com pesquisas, mas evitou entrevistas; buscou alianças, mas acabou sem vice e sem campanha


Joaquim Barbosa no STF | Foto: Divulgação
O fim da candidatura de Joaquim Barbosa à Presidência da República abre muitas reflexões. Desde o início, uma candidatura “fora do padrão”. Não político, não midiático, não branco.
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Barbosa é um homem negro retinto que parece mais com a imagem da maioria da população negra do que a representatividade real no Congresso, no Planalto e também no seu antigo Supremo Tribunal Federal (STF), de onde saiu em 2014.
Em maio, o Democracia Cristã (DC) confirmou Barbosa pré-candidato, retirando Aldo Rebelo do lugar de presidenciável oficial do partido. O candidato que ninguém imaginava, o ex-ministro aposentado, relator do mensalão, longe há anos dos holofotes, tinha virado opção em um jogo difícil, que já está acostumado com a polarização entre direita e esquerda, PL e PT.
A partir daí, partidos mais conhecidos, estruturados, com mais possibilidade de voto, e que queriam ser terceira via, indagaram: “por que não pensamos em Joaquim Barbosa antes?”. Ouvi essa resposta de presidentes de algumas legendas que se dizem de centro e estão sempre na base aliada do governo de ocasião. Em seguida, também surgia uma constatação: “ótimo nome, não esperava, mas sem tempo de fazer o efeito que poderia na campanha”.
O apelo de que faltam nomes na política não é tão verossímil, na prática.
O pré-candidato pediu alianças e estrutura ao partido, parecia o básico. O próprio Barbosa quase não falou com a imprensa, comportamento também que não se espera de quem quer ser Presidente da República. Em entrevista ao SBT News, o presidente do DC, João Caldas, chegou a dizer que Joaquim Barbosa era o “Pelé” destas eleições.
Aos 71 anos, Joaquim Barbosa havia sido convencido por amigos de que era oportunidade de tentar, e ser o diferencial da campanha. As pesquisas reagiram menos do que um candidato competitivo precisa ter, e mais do que nomes de políticos já testados conseguiram obter de intenção de votos.
Os meses passaram e partidos como PSD e Missão fizeram movimentos para dentro de si, optando por fortalecimento interno e chapas puro sangue.
Aliados do ex-ministro dizem que o apoio nunca veio, integrantes do DC relatam que Joaquim não demonstrou ser o candidato que esperavam e que se envolveu pouco nos trâmites da pré-candidatura.
A desistência de Barbosa foi uma decisão pessoal, mas não há como desconsiderar as questões estruturais que impedem o Brasil de ter um presidente negro, já que nem mesmo candidato ele consegue seguir na disputa.




















