Estreito de Ormuz está fechado, diz Irã; Guarda Revolucionária ameaça incendiar navio que tentar passar
Medida vem depois que o líder supremo aiatolá Ali Khamenei foi morto em ataque e deve mexer com a balança comercial global



Reuters
SBT News
O comandante da Guarda Revolucionária do Irã, Ahmad Vahidi, afirmou nesta segunda-feira (2) que o Estreito de Ormuz está fechado e que o Irã incendiará qualquer navio que tentar passar, informou a mídia iraniana. A medida, tomada depois que o líder supremo aiatolá Ali Khamenei foi morto em um ataque coordenado dos EUA e Israel contra o Irã, deve mexer com a balança comercial global.
O Estreito de Ormuz é uma rota de navegação fundamental. Não só um quinto de todo o petróleo transportado por via marítima em todo o mundo passa por ele, como também um quinto das remessas mundiais de gás natural liquefeito (GNL) e cerca de um terço do comércio global de ureia, o fertilizante mais utilizado no mundo.
O fechamento do estreito deve, portanto, aumentar drasticamente os preços do petróleo e do gás. Na manhã de segunda-feira, o preço do petróleo Brent, referência internacional, subiu até 13%, atingindo US$ 81,57 por barril (R$ 422,09) — o valor mais alto em mais de um ano. Depois, à tarde, recuou para pouco menos de US$ 77,53 (R$ 401,17), acumulando alta de 6,4% em relação à semana anterior.
No Brasil, a situação pode ser favorável em alguns aspectos. Em entrevista ao SBT News, Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infraestrutura, afirmou que o Brasil pode se beneficiar no saldo da balança comercial, mas alertou para riscos internos, como pressão inflacionária e eventual intervenção na Petrobras caso o preço do barril permaneça elevado.
Segundo Pires, o país caminha para produzir mais de 5 milhões de barris por dia até 2027 ou 2028, impulsionado pelo pré-sal, o que o colocaria entre os cinco maiores produtores globais. O petróleo já é o principal item da balança comercial brasileira, e a alta do barril tende a ampliar o superávit externo. Por outro lado, o impacto interno pode ser negativo.
Pires lembrou ainda que a alta do petróleo ocorre em ano eleitoral, cenário semelhante ao de 2022, quando o barril superou os US$ 100 durante a guerra entre Rússia e Ucrânia. Naquele período, o governo federal zerou tributos federais sobre combustíveis e promoveu mudanças na presidência da Petrobras.
O cenário atual, no entanto, diferente do observado em 2022. Isso porque, hoje, a oferta global de petróleo cresce em ritmo superior ao da demanda, o que funcionaria como "colchão" para evitar disparadas mais acentuadas. Ainda assim, caso o barril volte a superar os US$ 100 e permaneça nesse patamar por um período prolongado, há risco de intervenção na política de preços da estatal.








