Uma peça que está circulando nas redes sociais orienta apoiadores de Lula a dizerem aos eleitores com mais de 70 anos que Jair Bolsonaro teria desmontado o Farmácia Popular e que o programa foi resgatado pelo atual governo.
Mas será que foi exatamente isso que aconteceu?
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O Farmácia Popular não acabou durante o governo Bolsonaro. O programa continuou funcionando e, em setembro de 2022, o Ministério da Saúde chegou a ampliar sua cobertura, incorporando cinco medicamentos, quatro para hipertensão e um para diabetes tipo 2 associada a doença cardiovascular.
Portanto, dizer simplesmente que Bolsonaro “desmontou” o Farmácia Popular não conta a história inteira.
Mas existe o outro lado.
Naquele mesmo período, o governo Bolsonaro enviou ao Congresso uma proposta de Orçamento para 2023 que reduzia os recursos do Farmácia Popular de aproximadamente R$ 2,48 bilhões para cerca de R$ 1 bilhão. Ao mesmo tempo, cresciam as emendas de relator destinadas à saúde, numa mudança na forma de distribuir parte desses recursos. Diante da repercussão, o governo afirmou que a proposta ainda não era definitiva e que recomporia a verba durante a tramitação no Congresso.
Depois da eleição, já no governo Lula, o programa foi relançado e ampliado.
Portanto, os dois fatos precisam aparecer juntos. Bolsonaro não acabou com o Farmácia Popular e chegou a ampliar os medicamentos oferecidos, mas seu governo também apresentou uma proposta que previa uma redução significativa do orçamento do programa para o ano seguinte.

Bolsonaro não acabou com o Farmácia Popular e chegou a ampliar o número de medicamentos oferecidos. Ao mesmo tempo, seu governo apresentou uma proposta de orçamento que reduzia significativamente os recursos previstos para o programa no ano seguinte, dentro de uma discussão maior sobre como distribuir as verbas da saúde.
É justamente quando se escolhe apenas uma dessas partes que começa a narrativa eleitoral.
Um lado destaca a redução prevista no orçamento e diz que Bolsonaro desmontou o programa. O outro destaca que o Farmácia Popular continuou funcionando, teve medicamentos incorporados e que o governo prometeu recompor os recursos.
Os fatos não são necessariamente falsos. Incompleta pode ser a história contada e narrativa a partir deles.
E esse é um cuidado importante em período eleitoral. Quando alguém apresenta apenas o número que confirma sua versão, vale procurar o que aconteceu antes, depois e ao redor daquele número.
Agora, com Lula e Flávio Bolsonaro disputando a Presidência, o que cada um realmente pretende fazer com o Farmácia Popular nos próximos quatro anos? Quanto pretende investir, quantas pessoas pretende atender e como pretende garantir que o programa seja sustentável?
Porque política pública não deveria ser avaliada apenas pela narrativa que ajuda a vencer uma eleição.
Deveria ser avaliada pelo que efetivamente entrega para a população.
Pense nisso!

























