EUA acusam chineses de transporte ilegal de mercadorias
Governo Trump afirma que rede de triangulação envolve mais de 40 países e prepara sistema com IA para identificar produtos que tentam driblar tarifas americanas

Mercadorias em terra | Reprodução
WASHINGTON — O governo dos Estados Unidos acusa exportadores chineses de recorrer a uma rede internacional de triangulação de mercadorias para esconder a verdadeira origem de produtos e evitar o pagamento de tarifas americanas. Segundo um oficial da Casa Branca, mais de 40 países fazem parte das rotas utilizadas nesse tipo de operação.
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O esquema é conhecido como transshipment. Na prática, produtos fabricados em um país sujeito a tarifas mais elevadas passam por um terceiro mercado antes de chegar aos Estados Unidos, numa tentativa de apresentá-los como originários desse país intermediário e, assim, pagar uma tarifa menor.
De acordo com o oficial da Casa Branca que conversou com jornalistas na manhã desta quinta-feira (13) por telefone - o SBT News estava presente - a China é o principal exemplo analisado no relatório, mas a ofensiva não se restringe aos produtos chineses. Com a imposição de tarifas mais elevadas a outros parceiros comerciais, o governo americano prevê tentativas semelhantes envolvendo mercadorias de outros países.
Para combater a prática, os Estados Unidos desenvolvem um sistema apoiado por inteligência artificial capaz de analisar carregamentos antes mesmo da chegada dos navios aos portos americanos. A tecnologia cruza informações para determinar, com alto grau de probabilidade, quais mercadorias podem ter sido trianguladas para escapar das tarifas.
Os carregamentos considerados suspeitos serão classificados por nível de risco e poderão receber prioridade na fiscalização. As autoridades podem exigir documentação adicional para comprovar a verdadeira origem dos produtos. Caso o importador não consiga demonstrar que a mercadoria é uma exportação legítima do país declarado, o governo poderá cobrar as tarifas que teriam sido evitadas.
Segundo o funcionário da administração Trump, a identificação de irregularidades em um carregamento também pode permitir que as autoridades revisem operações anteriores e cobrem tarifas retroativamente por até um ano.
O sistema está atualmente em fase de implementação e deverá alcançar capacidade operacional em grande escala ainda neste ano. A estimativa apresentada pelo governo é de que o reforço da fiscalização possa resultar em dezenas de bilhões de dólares em tarifas adicionais, além de proteger milhares de empregos americanos.
A administração também pretende incluir cláusulas específicas contra o transshipment nos acordos comerciais negociados pelos Estados Unidos. Países que facilitarem a triangulação poderão enfrentar penalidades.
A estratégia americana não é direcionada apenas aos países de origem das mercadorias. O governo pretende aumentar a pressão principalmente sobre os mercados utilizados como intermediários para que produtos sujeitos a tarifas mais altas entrem nos Estados Unidos pagando taxas menores.
O oficial da Casa Branca advertiu que o acesso preferencial ao mercado americano não pode servir para que um país seja utilizado para disfarçar a origem das exportações de outro.
A iniciativa é separada das investigações comerciais realizadas pelos Estados Unidos sob a Seção 301, embora as informações obtidas com a nova fiscalização possam ser utilizadas nas negociações comerciais.
O governo americano afirma ainda que países europeus aparecem entre os mercados utilizados para operações de transshipment. Mais detalhes sobre eventuais novas regras de origem negociadas com parceiros comerciais não foram divulgados.
Para a administração Trump, combater a triangulação é essencial para garantir que as tarifas impostas pelos Estados Unidos sejam efetivamente cobradas e para impedir que empresas estrangeiras utilizem terceiros países para contornar a política comercial americana.

























