Nos EUA, Milei reforça apoio a Flávio Bolsonaro e Trump
Em evento dedicado à comunidade hispânica, argentino defendeu presidente americano nas eleições de meio de mandato e se encontrou com Eduardo Bolsonaro

Eduardo Bolsonaro se encontra com Milei em Washington | Foto: SBT News
O presidente da Argentina, Javier Milei, voltou a manifestar apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência do Brasil durante um evento em homenagem à comunidade hispânica, realizado em Washington. Em seu discurso, o argentino criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), adversário de Flávio no segundo turno das eleições brasileiras, e defendeu o fortalecimento de Donald Trump nas eleições legislativas americanas de novembro.
Milei também saudou Eduardo Bolsonaro, presente no evento, e enviou uma mensagem de apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, cuja prisão classificou como “indigna e vingativa”.
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“Quero aproveitar esta oportunidade para saudar Eduardo, irmão de Flávio, aqui presente conosco, enviando uma mensagem de amor e apoio tanto a Flávio quanto a seu pai, meu amigo, o presidente Jair Bolsonaro”, declarou.
Ao abordar o cenário político regional, Milei destacou sua aliança com o governo americano e defendeu a ampliação da presença de governos de direita na América Latina.
“Em uma aliança histórica com o governo Trump, demos uma virada na sequência socialista”, afirmou.
O presidente argentino também mencionou Venezuela e Cuba e atribuiu a Trump um papel decisivo nas mudanças políticas venezuelanas. Segundo Milei, a Venezuela estaria retornando à democracia graças à atuação do presidente americano.
Sobre as eleições legislativas dos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, Milei defendeu que Trump saia fortalecido da votação, que definirá o controle do Congresso.
“Que o presidente Trump saia fortalecido em novembro. Não podemos perder um centímetro do nosso hemisfério”, declarou.
Milei também abordou a situação econômica da Argentina. Sem mencionar a crise econômica recente, afirmou que o país dispõe de recursos energéticos e capital humano para prosperar, mas atribuiu às políticas populistas de governos anteriores parte das dificuldades enfrentadas ao longo das últimas décadas.
Na chegada ao evento, Eduardo Bolsonaro conversou com jornalistas e revelou que havia se encontrado com o presidente argentino no dia anterior.
“Eu falei com ele ontem. Em algum momento a gente vai se encontrar aqui. É óbvio que toda conversa é algo reservado”, afirmou. O ex-deputado brasileiro disse que pretendia agradecer pessoalmente a Milei pela postura adotada pelo governo argentino em episódios envolvendo brasileiros que enfrentam processos judiciais relacionados aos atos de 8 de Janeiro, em 2023.
Entre os exemplos mencionados, citou a proteção oferecida a funcionários da plataforma X durante o conflito entre o empresário Elon Musk e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, e a não extradição de brasileiros que estavam na Argentina.
“É mais uma oportunidade de encontrar o presidente da Argentina e primeiro agradecer a ele”, declarou. Eduardo Bolsonaro também afirmou que uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro abriria espaço para uma relação ainda mais próxima entre Brasília e Buenos Aires.
“Se confirmada, dia 25 de outubro, a eleição do Flávio Bolsonaro, porque eles não têm nada ganho ainda, certamente a gente vai sentar com um amigo para tomar um café e dali vai sair benefício para os dois povos”, afirmou.
Questionado se a família Bolsonaro havia solicitado ao presidente Donald Trump uma manifestação pública de apoio à candidatura de Flávio, Eduardo negou.
“O Trump é o presidente dos Estados Unidos, é o presidente da maior potência econômica e militar do mundo. Ele tem a liberdade de fazer o que bem entender, assim como Milei tem de fazer o que bem entender. Mas não ocorreu nenhuma articulação absolutamente com ninguém para ter algum tipo de apoio”, respondeu.
Durante o evento, Eduardo Bolsonaro também comentou sua situação judicial no Brasil.
“Nossa vida é como a vida do presidente Trump”, declarou. Eduardo afirmou que não sente vergonha das condenações que recebeu no Brasil e voltou a acusar o ministro do STF Alexandre de Moraes de promover perseguição política contra adversários.
“Eu tenho duas condenações hoje no Brasil, então ninguém mais respeita Moraes. Eu sou tratado da maneira que vocês estão vendo, apesar de ter duas condenações contra mim”, afirmou.
Eduardo classificou os processos judiciais contra integrantes de seu grupo político como lawfare, expressão utilizada para descrever o suposto uso do sistema de Justiça como instrumento de perseguição política. O ex-deputado também criticou pedidos de extradição de brasileiros que estavam na Argentina e defendeu a saída de Moraes do Supremo Tribunal Federal.
“Eu não vejo Flávio Bolsonaro presidente conseguindo governar com Alexandre de Moraes na Suprema Corte”, afirmou.

Eleição brasileira entra no debate em Washington
Eduardo Bolsonaro também comentou a reta final da disputa presidencial no Brasil. Segundo ele, a campanha de Flávio está confiante, mas não considera a eleição decidida.
“Acho que pesquisa pode dar um norte, mas não é tudo. Flávio está muito ciente de que não tem nada ganho”, declarou.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de interferência dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro, Eduardo afirmou que não houve articulação para obter apoio de Trump. Em seguida, acusou a administração americana anterior de ter interferido nas eleições brasileiras de 2022, citando recursos da agência de desenvolvimento USAID e visitas de autoridades americanas ao Brasil. Eduardo Bolsonaro destacou ainda o interesse internacional pelo resultado das eleições brasileiras.
“Todo mundo está de olho na eleição brasileira. Estados Unidos, China, Argentina, colegas da Europa. Essa é a segunda maior democracia do hemisfério ocidental”, afirmou.
As manifestações de Milei e Eduardo ocorreram em um momento de aproximação política entre setores da direita latino-americana e o governo Trump. Para o presidente argentino, a disputa eleitoral brasileira e as eleições legislativas americanas fazem parte de um mesmo cenário regional, no qual defende o fortalecimento de aliados conservadores e a ampliação de sua influência política no continente.

























