Análise: André Mendonça, com INSS e Master, une investigações que mais preocupam classe política em ano eleitoral
Mendonça assume após saída de Dias Toffoli da relatoria do caso, e redistribuição do processo por meio de sorteio

Se você não acompanha a investigação sobre a fraude do INSS, com certeza não pode dizer o mesmo sobre o caso do Banco Master, que apura fraude no sistema financeiro brasileiro e virou o assunto mais comentado na mídia, na política e no Judiciário nos últimos tempos.
Até o início deste ano, um elemento crucial já unia os dois casos: a atuação do banqueiro Daniel Vorcaro tanto na compra e venda de ativos considerados fraudulentos, quanto na contratação de crédito consignado por aposentados e pensionistas, uma das formas de roubo do esquema no INSS.
O sorteio do ministro André Mendonça, que já era relator do inquérito do INSS, para o comando das investigações do Master, reafirma mais um canal de contato entre os dois casos.
Culpa do algoritmo ou não, o ministro sorteado para tratar da fraude do Master já vinha trabalhando em dados sobre operações do banco supostamente contratadas sem autorização prévia de segurados do INSS. Há outras instituições financeiras na lista de suspeitos. Mas o volume de contratos atrelado ao Master chama atenção. Apesar do pouco tempo no mercado, o banco somava mais de 250 mil empréstimos consignados. Em novembro de 2025, o INSS bloqueou cerca de R$ 2 bilhões que estavam indo para o Master, diante das suspeitas.
À frente do caso INSS, Mendonça empregou firmeza ao determinar, em dezembro passado, que a PF cumprisse 16 mandados de prisão de uma só vez, incluindo o número 2 do ministério da Previdência, Adroaldo Portal, ligado ao PDT, partido da base aliada do governo Lula.
A interlocutores ouvidos pelo SBT News, Mendonça afirmou que não iria recuar nas investigações e manteve o gabinete funcionando mesmo no recesso para evitar decisões que pudessem flexibilizar as rédeas em pleno plantão judiciário.
Aliados do ministro avaliam que no caso Master não será diferente. E ainda que exista expectativa sobre qual direcionamento ele adotará sobre o sigilo do caso, imposto pelo ex-relator Dias Toffoli, não há dúvidas de que o ministro não evitará decretar novas prisões.
A exposição da investigação do Master também poderá ativar holofotes para o caso INSS, que expõe o governo Lula, apesar da investigação da PF apontar que o esquema teve início na gestão Bolsonaro. Além disso, a tensão sobre o Master e suas conexões políticas resgata o discurso de combate à corrupção, em pleno embate eleitoral.
Assim como Toffoli, Mendonça compõe a segunda turma do Supremo Tribunal Federal. Isso mexe com a relação de forças dentro do tribunal. Enquanto o julgamento da tentativa de golpe, que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi realizado pela primeira turma, agora os casos que mais preocupam a classe política, INSS e Master, poderão ser futuramente julgados pela segunda turma.
Apesar de muitas expectativas, com direito à comemoração pública de lideranças do PL, partido de Jair Bolsonaro, Mendonça também é lembrado por auxiliares como uma pessoa serena e que não conduz decisões sob arroubos.
As comparações entre Toffoli e Mendonça também existem quanto à origem da indicação ao STF. Ambos foram ministros da Advocacia Geral da União dos governos Lula e Bolsonaro, respectivamente. E os dois foram indicados ao STF pelo presidente de ocasião. No caso de Mendonça, ele já havia saído da AGU e estava no Ministério da Justiça quando veio a indicação a ministro da suprema corte.





























































































































































