Chefes militares apresentaram a Lula proposta de investimentos em defesa de R$ 800 bi em 15 anos
Discussão ocorreu na esteira dos ataques dos Estados Unidos à Venezuela, vistos como um precedente perigoso para a fronteira nacional

O presidente Lula e os comandantes das Forças Armadas se reuniram no último dia 15 para debater a crise na Venezuela e as necessidades de investimentos em defesa nacional a longo prazo.
No encontro, Lula e os chefes das Forças Armadas avaliaram que a ação capitaneada pelo presidente Donald Trump traz um alerta sobre os riscos à soberania nacional e a necessidade de ter um sistema de defesa robusto o suficiente para defender e prevenir ataques similares em solo brasileiro.
Participaram da conversa os comandantes do Exército, Tomás Paiva, da Marinha, Marcos Olsen, e da Aeronáutica, Marcelo Damasceno, além do ministro da Defesa, José Múcio Monteiro.
A pedido do próprio presidente, foram discutidos quais projetos estratégicos seriam necessários para o país.
O SBT News apurou junto aos participantes que cada chefe militar apresentou uma lista de prioridades, passando pelas dificuldades mais urgentes, como o sucateamento de equipamentos e a falta de combustível, até projetos ambiciosos de defesa nacional.
Conforme os cálculos preliminares, seria necessário um investimento de cerca de R$ 800 bilhões entre 2025 e 2040 para se chegar a um padrão ideal — uma cifra muito acima de qualquer patamar já experimentado no país.
No fim do ano passado, o Congresso Nacional deu um fôlego ao orçamento da Defesa ao aprovar um projeto que dribla as regras fiscais para permitir um gasto de R$ 30 bilhões no setor ao longo de seis anos.
Nos bastidores, representantes das Forças Armadas defendem soluções extraorçamentárias para diminuir o "hiato tecnológico" enfrentado pelo Brasil em relação às nações mais equipadas.
Um dos focos de preocupação está no avanço das tecnologias de drones, que já contam com armamentos acoplados e sistemas de inteligência artificial. Lula ouviu dos chefes militares o apelo, por exemplo, para que haja um robustecimento de sistemas de proteção antiaérea. A medida, eles dizem, é o que dá condições para a Ucrânia resistir por tanto tempo aos ataques vindos da Rússia.
Lula acolheu os pedidos, mas evitou se posicionar. Entre os militares, a expectativa é a de que novos encontros devem acontecer para debater mais investimentos para as Forças Armadas.

























