Depoimento de Vorcaro gera batalha por protagonismo, mudança de estratégia e acusação de blindagem
Dono do Banco Master deve falar ao Senado na próxima semana após antecipação da data pela CPMI do INSS

O depoimento de Daniel Vorcaro abriu uma corrida por protagonismo entre as diversas frentes de investigação sobre o Banco Master instauradas no Senado.
A disputa acontece em meio à possibilidade de dois parlamentares envolvidos nas investigações rivalizarem nas urnas neste ano. O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), avalia entrar na disputa ao Senado - parlamentar de primeiro mandato, ele tem como principal holofote sua atuação na comissão de inquérito.
Já o senador Renan Calheiros (MDB-AL), presidente da Comissão de Assuntos Econômicos, tentará a reeleição para mais oito anos de mandato.
Questionados, os parlamentares alagoanos negam haver qualquer politização das apurações e ressaltam que os trabalhos são complementares.
Nesta quarta-feira (18), a CPMI do INSS anunciou que a oitiva de Vorcaro, antes prevista para o dia 26, foi alterada para o dia 23. A medida, na prática, se antecipa ao depoimento de Vorcaro programado para o dia 24, na CAE.
Além de mudar a data, integrantes da CPMI do INSS passaram a defender que não haja restrições durante o questionamento de Vorcaro na próxima segunda-feira. Oficialmente, a comissão destinada a apurar desvios nas aposentadorias se debruça apenas sobre as supostas fraudes envolvendo contratos de créditos consignados firmados com o Master.
Foi com base nisso, por exemplo, que foi rejeitada uma quebra de sigilo bancário do Master nos últimos dez anos - a cúpula da CPMI alegou que, por avançar para um período além do escopo da investigação, poderia haver algum tipo de nulidade no requerimento.
Agora, porém, membros do colegiado trabalham numa outra direção. Um influente titular da CPMI, que preferiu não se identificar, disse ao SBT News que não haverá limitações e que a "oitiva será política e jurídica". Segundo ele, "ninguém vai controlar o que cada parlamentar vai perguntar". Esse parlamentar acrescenta que o caso envolve diversos indícios de crimes e que não haveria como impedir Vorcaro de abordá-los. "Se um juiz vai interrogar alguém que cometeu dez assassinatos, não tem como ele perguntar de um só", acrescenta.
Preparados para interrogar Vorcaro no dia seguinte, membros da CAE veem a estratégia com ressalvas e dizem que caberia à CPMI apenas avançar sobre os créditos consignados. Além disso, eles levantam suspeitas sobre a real disposição da CPMI de avançar sobre as ligações políticas do banqueiro, em especial com representantes do Centrão. "Eles não querem que o Vorcaro fale, e ele quer falar", diz um senador que também optou por não se identificar.
Antes de aceitar falar no Senado, Vorcaro pediu autorização para que possa viajar de São Paulo a Brasília em um avião privado, de modo a ter a sua reforçada. Segundo a defesa, os depoimentos estão confirmados para a próxima semana.











































