Promessa após ataques do 8 de janeiro, blindagem do Planalto ainda não saiu do papel
Houve instalação mais de 700 câmeras de monitoramento, reforço na guarda presidencial e nos armamentos disponíveis e a ampliação de sistemas antidrone
Três anos após os atos de invasão e depredação das sedes dos três poderes, a aplicação de blindagem em todo piso térreo do Palácio do Planalto ainda não saiu do papel. O reforço na proteção dos vidros da sede presidencial foi uma das primeiras promessas após os ataques do 8 de janeiro. No entanto, dificuldades ligadas à estrutura do prédio e também barreiras burocráticas são usadas para justificar a demora da reforma.
Durante a invasão ao Palácio, chamou atenção a facilidade com que os manifestantes, munidos de paus e pedras, conseguiram quebrar os vidros e entrar na sede presidencial, que contava com um baixo efetivo policial. Uma das principais soluções aventadas, então, foi reforçar toda a vidraçaria do primeiro andar do Planalto. Para isso, um montante de mais de R$ 8 milhões já foi reservado no orçamento federal.
O problema é que o palácio é uma obra tombada e tem de ter a sua originalidade preservada. Ao autorizar a instalação da blindagem, num processo também demorado, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) impôs uma série de ressalvas relacionadas à coloração do vidro, que deveria manter a transparência interna, e também à capacidade da sustentação do peso da nova estrutura.
Agora, falta a Secretaria de Administração da Presidência apresentar os dados sobre a engenharia do prédio e avalizar a obra. Há na fila, porém, mais de uma centena de ordens de serviços abertas, o que tende a postergar ainda mais a blindagem. De acordo com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a expectativa é que o reforço aconteça ainda neste ano.
A mudança deve acontecer apenas no primeiro piso do palácio, justamente porque a proteção dos quatro andares implicaria um elevado peso adicional. O gabinete da Presidência já conta com uma blindagem instalada.
Outras medidas depois do 8 de janeiro
Algumas providências para reforçar a segurança do Planalto, por outro lado, já estão em vigor. Uma delas diz respeito ao aumento tanto no efetivo de prontidão no Planalto quanto no deslocado para lá em caso de eventos e manifestações. Antes havia um mínimo de cerca de 30 homens do GSI mobilizados para eventos considerados de baixo risco, número que passou para cerca de 120 militares.
Além disso, entre maio de 2023 e novembro de 2024 a Secretaria de Segurança Presidencial teve um incremento de 60% no efetivo, que passou a cumprir um protocolo mais rigoroso na segurança e a contar com maior número de armamentos disponibilizados.
Também houve um expressivo investimento na vigilância palaciana com a instalação de câmeras internas e externas - antes eram 68, e agora são 708 equipamentos, que contam com maior qualidade nas imagens e na capacidade de armazenamento.
Também foi ampliado o uso de escudos antidrones no Planalto durante eventos nos quais o presidente e o vice participam, impedindo a aproximação de qualquer equipamento que não seja previamente autorizado.
Por fim, foram instaladas guaritas com pórticos de raio-x nas sedes da Presidência e da vice-presidência e também nas residências oficiais, de modo a identificar e fiscalizar todos os visitantes antes de acessarem os locais.

















