Está cedo para eu sair da vida pública, diz Ibaneis Rocha após escolhas de Jair Bolsonaro para o Senado
Ex-presidente definiu que o apoio do bolsonarismo no Distrito Federal vai para Michelle Bolsonaro e Bia Kicis


Hariane Bittencourt
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), afirmou nesta segunda-feira (23) que não pretende deixar a vida pública depois de se afastar do Palácio do Buriti, em 28 de março. Desgastado pela crise envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, ele tem reiterado que será candidato ao Senado.
"Eu dediquei a minha vida, a minha saúde, a minha inteligência para fazer o bem para o Distrito Federal. Estou muito feliz por isso e quero deixar bem claro para vocês. Eu acho que está cedo para eu sair da vida pública", disse durante a cerimônia de sanção do projeto de lei que revisa o Plano Diretor de Ordenamento Territorial (PDOT) do Distrito Federal.
Ibaneis confirmou que deixará o governo em 28 de março, quando a vice-governadora Celina Leão (PP) assumirá o posto, e citou feitos pessoais que o ajudaram no comando da gestão distrital. "Com a minha experiência na área privada, com 32 anos de advocacia que eu completo agora dia 17 de maio, com a experiência da passagem pelos órgãos que eu representei junto à Ordem [dos Advogados do Brasil]. Eu não abro mão de dar as soluções por mais duras que elas sejam", pontuou o emedebista.
Segundo aliados, o governador do DF atua para demover o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da decisão de apoiar os nomes da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) e da deputada federal Bia Kicis (PL-DF) na corrida ao Senado. Alinhado ao bolsonarismo, Ibaneis contava com esse apoio.
Com o nome colado à crise envolvendo o Banco Master, sobretudo depois que Daniel Vorcaro disse ter se reunido com Ibaneis para tratar da venda da instituição ao BRB, o governador calcula que sem o apoio do ex-presidente as chances de conseguir a cadeira de senador se tornam mais remotas.
No sábado (21), após visitar Jair Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, o deputado federal Ubiratan Sanderson (PL-RS) afirmou que o ex-presidente fez sua escolha. "No Distrito Federal já está definido também e ele [Bolsonaro] pediu que eu servisse de porta-voz. Michelle Bolsonaro e Bia Kicis são os nomes que serão apoiados pelo bolsonarismo no Distrito Federal para o Senado Federal", assegurou o parlamentar, reforçando o isolamento de Ibaneis.
Recomposição do BRB
Na última sexta (20), o governo do DF, que é acionista controlador do BRB, enviou à Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) um projeto de lei pedindo autorização para a realização de garantia de capital no banco. A proposta autoriza a recomposição do patrimônio líquido e capital social do banco para "assegurar a robustez dos indicadores financeiros do banco e garantir a continuidade dos serviços prestados à sociedade".
O texto, que agora aguarda o aval dos deputados distritais, autoriza o uso de 12 imóveis públicos para reforçar os caixas do Banco de Brasília.
Também no evento desta segunda, no Palácio do Buriti, Ibaneis fez acenos à Casa Distrital. "Eu posso garantir a vocês que Brasília nunca teve uma Câmara Legislativa tão respeitada e tão trabalhadora. Nós temos os melhores parlamentares da história do Distrito Federal", disse Ibaneis.









