Narrativa de que Flávio é 'traidor da pátria' domina redes
Levantamento da Palver mostra que viagem do senador aos EUA para se opor a tarifaço não reduziu críticas à atuação do bolsonarismo


Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) | Divulgação/Edilson Rodrigues/Agência Senado
O envio de um documento assinado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao USTR (Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos) em que ele diz que Lula (PT) poderia ser beneficiado caso o governo Donald Trump imponha novas sanções à indústria brasileira e a participação do parlamentar nesta terça-feira (7) em audiência para defender que o Brasil não seja taxado pelos norte-americanos reacendeu o debate nas redes sobre o tarifaço e a soberania do Brasil.
Levantamento da Palver, empresa de monitoramento digital, mostra que de cada 100 mil mensagens em grupos de WhatsApp e Telegram, 67 citam o assunto. 78% dessas mensagens são críticas ao pré-candidato do PL à Presidência da República. Apenas 22% fazem a defesa do senador.
A principal narrativa observada, conforme o levantamento, é a acusação de traição à pátria e entreguismo. Essa crítica tem sido enfatizada pelo governo Lula (PT), que reforça que o início do tarifaço contra o Brasil teve como objetivo pressionar o STF (Supremo Tribunal Federal) durante o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A discussão sobre o Pix, apontado pelo governo americano como uma ferramenta brasileira que prejudica de maneira desleal as empresas norte-americanas, também faz parte das críticas contra Flávio Bolsonaro. O senador tem dito que um dos motivos de sua viagem é, na verdade, defender o Pix.
Desde o ano passado, o tema é assunto sensível para o clã Bolsonaro depois que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL) admitiu que trabalhou pelo tarifaço junto a representantes do governo Trump.
Nesta segunda-feira (6), já no Estados Unidos, Flávio Bolsonaro gravou um vídeo acusando o governo brasileiro de negligenciar a participação nas audiências do USTR e dizendo que ele irá defender o Brasil e os interesses das empresas brasileiras. O jornalista e influenciador bolsonarista Paulo Figueiredo, que também havia feito inscrição para falar no USTR, desistiu.
A coluna apurou que é praxe que o setor empresarial e a sociedade civil participem das audiências do USTR. Os diplomatas brasileiros atuam há mais de um ano nos bastidores com reuniões com integrantes do governo norte-americano e acompanharão os dois dias de audiências apenas como observadores.























