Política

Flávio participa hoje (7) de audiência sobre tarifas nos EUA

Senador deve se posicionar contra à taxação de 25% sobre produtos brasileiros; fala deve ter duração de cinco a 10 minutos

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Camila Stucaluc
07/07/2026, 07:05 • Atualizado em 07/07/2026, 07:38
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Senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) | Reuters

Senador e pré-candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL) | Reuters

O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) participa nesta terça-feira (7) de uma audiência pública em Washington, nos Estados Unidos, sobre a tarifa de 25% proposta pelo governo aos produtos brasileiros. A fala, que deve ter duração de cinco a 10 minutos, está marcada para às 10h (11h no horário de Brasília).

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A nova tarifa foi proposta em junho pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), que acusou o Brasil de promover práticas desleais e prejudiciais ao comércio norte-americano. Ao todo, o órgão cita seis pontos principais de questionamento:

  • Comércio digital e serviços de pagamento: alega que decisões da Justiça brasileira contra plataformas norte-americanas de redes sociais restringem atividades dessas empresas e afetam a liberdade de operação no país. Também critica políticas que, segundo o governo, favorecem concorrentes locais em serviços de pagamento eletrônico, como o Pix.
  • Tarifas preferenciais: afirma que acordos comerciais do Brasil com México e Índia concedem vantagens tarifárias a produtos desses países em setores considerados estratégicos.
  • Combate à corrupção: sustenta que o Brasil não adota medidas suficientes para prevenir e combater casos de suborno e corrupção.
  • Propriedade intelectual: aponta falhas no combate à pirataria e à falsificação de produtos, além de demora na análise de pedidos de patentes, especialmente no setor biofarmacêutico.
  • Mercado de etanol: afirma que o Brasil deixou de oferecer tratamento tarifário equivalente ao etanol americano desde 2017, o que teria reduzido o acesso do produto dos Estados Unidos ao mercado brasileiro.
  • Desmatamento ilegal: reconhece que o Brasil possui legislação para combater o desmatamento ilegal, mas afirma que a aplicação das normas não tem sido suficientemente eficaz para conter o problema.

Antes de ser implementada, a proposta precisa passar por consulta pública para, então, ser debatida pelo governo. A audiência reúne representantes brasileiros e norte-americanos de diversos setores, como indústria, agronegócio, comércio e tecnologia, além de políticos, que solicitaram participação.

No caso de Flávio, a ideia é mudar a narrativa, se opondo à proposta. O senador tem sido acusado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e apoiadores de ter incitado o governo norte-americano a aplicar tarifas adicionais aos produtos brasileiros durante visita aos Estados Unidos e conversa com o presidente Donald Trump.

No ano passado, quando Washington estabeleceu uma tarifa de 50% contra produtos brasileiros, Eduardo Bolsonaro agradeceu publicamente o presidente norte-americano pela medida.

Em manifestação enviada ao USTR na última quinta-feira (2), Flávio pediu aos Estados Unidos que suspendam a imposição da tarifa às importações brasileiras até as eleições de outubro, dizendo que a manutenção da taxa neste momento beneficiaria politicamente Lula – seu principal adversário na eleição presidencial deste ano.

"As tarifas propostas recompensariam o atual governo brasileiro pela própria estratégia que tem adotado: obstruir negociações sérias, provocar retaliações e, em seguida, converter essa retaliação em uma vitória política interna. Pior ainda, os custos recairiam sobre a economia americana e sobre os brasileiros mais comprometidos com o relacionamento construtivo com os EUA", escreveu.

Outros nomes brasileiros

Além da Flávio, a sessão de hoje contará com o ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC) Roberto Azevêdo, que falará em nome da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).

Representantes da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e da Associação Brasileira da Indústria de Madeira Processada Mecanicamente (Abimci) também estarão presentes.

Governo negocia

O governo brasileiro vem negociando com os Estados Unidos para evitar que haja a imposição das sobretaxas. Na última semana, a gestão apresentou um pacote de medidas que pretende adotar para contemplar os seis temas apontados pelo USTR, visando demonstrar que as políticas investigadas não configuram práticas desleais ou discriminam empresas norte-americanas.

Agora, o governo aposta em uma nova reunião com o representante comercial, Jamieson Greer, para debater o plano, apelidado de “mapa do caminho”.

Nos bastidores, no entanto, interlocutores afirmam que a decisão final sobre o tarifaço pode ser influenciada por setores do governo norte-americano que priorizam objetivos políticos. A expectativa do Palácio do Planalto é de que a tarifa seja confirmada em 15 de julho, com eventual retomada das negociações em um segundo momento - que pode, inclusive, ser posterior às eleições de outubro.

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