Ex-diretor da OMC diz que reverter tarifaço será difícil
Roberto Azevêdo afirma que medida integra política industrial dos EUA e defende tentar ampliar lista de exceções
Amanda Klein, Caroline Vale, Eduardo Gayer, Victoria Abel
07/07/2026, 00:03 • Atualizado em 07/07/2026, 00:03
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Ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador Roberto Azevêdo afirmou nesta segunda-feira (6) que o tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz parte de uma estratégia de política industrial e fiscal do governo norte-americano e avaliou que reverter a medida será uma tarefa difícil. Segundo ele, o foco agora deve ser reduzir o impacto das tarifas e ampliar a lista de produtos brasileiros isentos da sobretaxa.
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Durante entrevista ao Central de Notícias, do SBT News, Azevêdo explicou que as tarifas não têm como alvo exclusivo o Brasil, mas fazem parte de uma política econômica mais ampla dos Estados Unidos. "Trata-se de uma política industrial americana. E uma política fiscal americana", afirmou.
De acordo com o ex-chefe da OMC, Trump busca estimular a reindustrialização dos Estados Unidos ao tornar produtos importados mais caros, incentivando investimentos em fábricas no país. Além disso, as tarifas também têm como objetivo aumentar a arrecadação do governo para financiar incentivos ao setor produtivo norte-americano.
Apesar disso, Azevêdo reconheceu que o Brasil acabou sendo atingido de forma diferenciada e alertou para a dificuldade de reverter a estratégia americana. "A gente achar que nós vamos conseguir reverter uma política industrial americana vai ser muito difícil", disse. Para ele, a atuação brasileira deve se concentrar em "reduzir essas tarifas" e "aumentar o número de produtos que pode estar dentro da lista de exceções".
Ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), Roberto Azevêdo. | Reprodução/SBT News
O embaixador destacou que as exceções concedidas até agora foram resultado da atuação direta do setor privado junto às autoridades americanas, e não de negociações entre governos. Segundo ele, empresas conseguiram demonstrar que a taxação elevaria custos para a própria indústria dos Estados Unidos e para os consumidores americanos.
Azevêdo também afirmou que cerca de 62% das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas são insumos utilizados na produção industrial americana, o que, na avaliação dele, enfraquece a justificativa econômica para a medida.
Ao comentar por que o Brasil recebeu tratamento diferente de outros países, o ex-diretor da OMC disse que o processo foi influenciado por fatores políticos. "Nós tínhamos ainda a questão política, que se colocava com o ex-presidente Bolsonaro sendo o centro da discussão", afirmou. Ele também citou divergências entre os dois países envolvendo plataformas digitais, propriedade intelectual e tarifas brasileiras.
Sobre as negociações entre Brasília e Washington, Azevêdo afirmou que não acompanha diretamente as conversas, mas ressaltou que tanto brasileiros quanto americanos atribuem responsabilidades um ao outro pela falta de avanços. Segundo ele, os Estados Unidos reclamam da postura dos negociadores brasileiros, enquanto o governo brasileiro critica a ausência de demandas claras por parte da administração americana.
Na avaliação do ex-chefe da OMC, as negociações comerciais sempre envolvem fatores políticos além dos aspectos técnicos. "Não existe uma negociação que é estritamente econômica e estritamente comercial, sempre tem um elemento político no meio e você tem que lidar com ele", concluiu.
Ex-diretor da OMC diz que reverter tarifaço será difícilRoberto Azevêdo afirma que medida integra política industrial dos EUA e defende tentar ampliar lista de exceçõesBrasil2026-07-07T00:03:13.728ZEx-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), o embaixador Roberto Azevêdo afirmou nesta segunda-feira (6) que o anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, faz parte de uma estratégia de política industrial e fiscal do governo norte-americano e avaliou que reverter a medida será uma tarefa difícil. Segundo ele, o foco agora deve ser reduzir o impacto das tarifas e ampliar a . Durante entrevista ao Central de Notícias, do SBT News, Azevêdo explicou que as tarifas não têm como alvo exclusivo o Brasil, mas fazem parte de uma política econômica mais ampla dos Estados Unidos. "Trata-se de uma política industrial americana. E uma política fiscal americana", afirmou. De acordo com o ex-chefe da OMC, Trump busca estimular a reindustrialização dos Estados Unidos ao tornar produtos importados mais caros, incentivando investimentos em fábricas no país. Além disso, as tarifas também têm como objetivo aumentar a arrecadação do governo para financiar incentivos ao setor produtivo norte-americano. Apesar disso, Azevêdo reconheceu que o Brasil acabou sendo atingido de forma diferenciada e alertou para a dificuldade de reverter a estratégia americana. "A gente achar que nós vamos conseguir reverter uma política industrial americana vai ser muito difícil", disse. Para ele, a atuação brasileira deve se concentrar em "reduzir essas tarifas" e "aumentar o número de produtos que pode estar dentro da lista de exceções". O embaixador destacou que as exceções concedidas até agora foram resultado da atuação direta do setor privado junto às autoridades americanas, e não de negociações entre governos. Segundo ele, empresas conseguiram demonstrar que a taxação elevaria custos para a própria indústria dos Estados Unidos e para os consumidores americanos. Azevêdo também afirmou que cerca de 62% das exportações brasileiras afetadas pelas tarifas são insumos utilizados na produção industrial americana, o que, na avaliação dele, enfraquece a justificativa econômica para a medida. A discussão sobre o Brasil ocorre em meio a uma ofensiva tarifária mais ampla do governo Donald Trump. Além da , os Estados Unidos também abriram uma investigação que pode resultar em uma no combate ao trabalho forçado. Entre os países atingidos estão Argentina, China, Japão, Reino Unido, Rússia e Venezuela, enquanto Canadá, União Europeia, México e Equador integram um grupo sujeito a uma alíquota menor, de 10%. Brasil entre os mais tarifados Ao comentar por que o Brasil recebeu tratamento diferente de outros países, o ex-diretor da OMC disse que o processo foi influenciado por fatores políticos. "Nós tínhamos ainda a questão política, que se colocava com o ex-presidente Bolsonaro sendo o centro da discussão", afirmou. Ele também citou divergências entre os dois países envolvendo plataformas digitais, propriedade intelectual e tarifas brasileiras. Sobre as negociações entre Brasília e Washington, Azevêdo afirmou que não acompanha diretamente as conversas, mas ressaltou que tanto brasileiros quanto americanos atribuem responsabilidades um ao outro pela falta de avanços. Segundo ele, os Estados Unidos reclamam da postura dos negociadores brasileiros, enquanto o governo brasileiro critica a ausência de demandas claras por parte da administração americana. Na avaliação do ex-chefe da OMC, as negociações comerciais sempre envolvem fatores políticos além dos aspectos técnicos. "Não existe uma negociação que é estritamente econômica e estritamente comercial, sempre tem um elemento político no meio e você tem que lidar com ele", concluiu.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/ex-diretor-da-omc-diz-que-reverter-tarifaco-sera-dificil
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