Paes barra licitação de empresa citada em investigação sobre crime organizado
Rede Sol venceu disputa por lote de fornecimento de diesel para o BRT carioca; empresa é apontada como elo do PCC na operação Carbono Oculto

Caio Barcellos
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), disse nesta segunda-feira (23) que o fornecimento de diesel pela Rede Sol ao BRT carioca será submetido à análise da Secretaria Municipal de Integridade antes de eventual formalização.
Conforme apurado pelo SBT News, a empresa citada como um elo do Primeiro Comando da Capital (PCC) pela operação Carbono Oculto venceu o chamado lote de redundância, uma espécie de fornecimento alternativo em caso de desabastecimento ou aumento na demanda.
Segundo o prefeito do Rio, o lote principal, vencido pela Vibra e que representa cerca de 80% da contratação, deverá ser assinado imediatamente.
“Determinei à BRT Mobi-Rio que só assine o lote principal. Quanto ao lote de redundância a Secretaria de Integridade vai analisar. Até a aprovação (ou não) da Integridade, sem assinatura”, afirmou o prefeito em publicação nas redes sociais. Ele acrescentou que a decisão “em nada compromete a operação do sistema BRT”.
A Rede Sol foi citada na operação Carbono Oculto, deflagrada em 2025 pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Federal, que investiga suspeitas de sonegação bilionária de tributos e possível atuação do PCC no setor de combustíveis. Não há, até o momento, condenação judicial.
Em fevereiro, a própria Vibra informou ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) que rompeu unilateralmente um contrato de armazenagem com a Rede Sol, alegando riscos reputacionais após a divulgação das investigações.
A licitação também marcou a derrota da Flagler Combustíveis, ligada ao Grupo Refit (antiga Refinaria de Manguinhos), que mantinha contrato com a Mobi-Rio até janeiro de 2026 e buscava renovar o fornecimento.
Privatização
Apesar de o prefeito ter se referido à Vibra como “Distribuidora Petrobras”, a empresa não integra mais o sistema da Petrobras. Antiga BR Distribuidora, a companhia foi totalmente privatizada em 2021 e hoje é uma corporação de capital privado, com ações negociadas na bolsa e controle pulverizado.
A empresa ainda utiliza a marca BR em parte de suas operações, mas não pertence à Petrobras.









