Investigados na operação Carbono Oculto, "Beto Louco" e "Primo" negociam delação premiada com MPSP
Empresários estão foragidos; procurador-geral de Justiça do Estado de SP confirmou tratativas



Fabio Diamante
Robinson Cerantula
Os empresários Roberto Augusto Leme da Silva e Mohamad Hussein Mourad, conhecidos como "Beto Louco" e "Primo", negociam acordo de delação premiada com o Ministério Público de São Paulo (MPSP).
A informação foi noticiada pelo portal G1 e confirmada pelo SBT News.
Segundo pessoas que estão acompanhando o caso, a colaboração começou a ser tratada na esfera estadual após falta de encaminhamentos no âmbito federal.
Na prática, um acordo de delação no Ministério Público de São Paulo limita os assuntos que podem ser tratados, não podendo conter, por exemplo, fatos envolvendo pessoas com foro privilegiado.
O procurador-geral de Justiça do Estado de SP, Paulo Sérgio de Oliveira e Costa, disse em nota que investigação vai chegar "não só a empresários e empresas, mas a agentes públicos e eventualmente até políticos".
"Nosso objetivo é impessoal. Qualquer pessoa que tiver qualquer envolvimento, em qualquer etapa dessa cadeia criminosa, terá que se explicar e sofrerá as consequências penais, administrativas e cíveis cabíveis", afirmou.
Há uma preocupação nas investigações sobre possíveis pressões, já que ambos os empresários, atuantes no setor de combustíveis, têm conexões com o mundo político.
"Beto Louco" e "Primo" estão foragidos. Eles foram alvos em agosto do ano passado da operação Carbono Oculto, considerada a maior força-tarefa contra crime organizado no Brasil e deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do MPSP, e pela Receita Federal, com apoio da Polícia Federal (PF).
A ação apura esquema de lavagem de dinheiro de bilhões de reais por meio de fintechs e fundos de investimentos, revelando infiltração da facção Primeiro Comando da Capital no setor de combustíveis e na Faria Lima, coração do mercado financeiro. Os empresários negam qualquer ligação com o PCC.
A defesa dos investigados foi procurada, mas ainda não se manifestou. O espaço segue aberto.









