Promotoria pede júri popular para 13 PMs por mortes em baile funk de Paraisópolis
MP diz que PMs assumiram risco de morte ao cercar vias, empregar violência física e lançar bombas de efeito moral


Vicklin Moraes
Agência SBT
A Promotoria de Justiça de São Paulo pediu que os 13 policiais militares envolvidos na operação que resultou na morte de nove jovens durante um baile funk em Paraisópolis, na zona sul da capital, sejam levados a júri popular. A manifestação foi protocolada no último sábado (31).
O episódio ocorreu em 1º de dezembro de 2019, na Viela do Louro, durante uma festa que reunia cerca de 5 mil pessoas. Segundo a promotora Luciana André Jordão Dias, do Ministério Público de São Paulo, as provas indicam que os réus assumiram o risco de produzir o resultado morte ao fechar simultaneamente as extremidades da via, empregar violência física e lançar bombas de efeito moral, criando um cenário de pânico generalizado e bloqueando rotas seguras de fuga.
Segundo o MP, os policiais cercaram ruas e vielas ao redor do baile e lançaram gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral e balas de borracha no meio da multidão. Vídeos e relatos de testemunhas indicam ainda agressões com pontapés e objetos contundentes contra frequentadores do evento.
As vítimas tinham entre 14 e 23 anos, eram moradores de bairros periféricos de São Paulo e haviam ido ao baile na comunidade. Quatro eram adolescentes e, entre os nove mortos, uma era mulher.
Para a Promotoria, a intervenção policial resultou em confusão, correria e esmagamento de pessoas, configurando uma ação equivalente a uma emboscada. O MP afirma ainda que os policiais agiram por motivo torpe, com o objetivo de demonstrar poder sobre a população presente no evento.
Os 13 policiais respondem por homicídio triplamente qualificado e lesões corporais.









