Cézar Feitoza
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Coluna do Cézar

Jornalista com passagem nas redações da Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, O Antagonista e rádios como BandNews e CBN. Seu foco abrange o Judiciário e as relações entre os poderes civis e militares.

Justiça

Fachin define novo procedimento para evitar direcionamento de ações para ministros

Regra tenta impedir manobra usada por empresa de Toffoli para direcionar processo contra quebra de sigilo para Gilmar Mendes

Imagem da noticia Fachin define novo procedimento para evitar direcionamento de ações para ministros
Ministro Edson Fachin, presidente do Supremo | Divulgação/Rosinei Coutinho/STF
Cézar Feitoza

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, decidiu alterar procedimentos sobre a distribuição de relatorias no tribunal para evitar o direcionamento de ações para ministros.

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A medida tenta evitar que um drible comum seja usado por advogados que entram com processos no Supremo.

Em muitos casos, as ações são apresentadas dentro de outro processo, antigo e sem correlação com o caso, para garantir que o ministro-relator é mais simpático ao seu pedido, evitando a distribuição por sorteio.

A decisão de Fachin diz que as novas ações apresentadas em processos antigos e já baixados no Supremo deverão passar por análise da Secretaria Judicial e da Presidência, para definir se a relatoria será mantida com o ministro ou sorteada.

A regra foi definida pelo Supremo em resolução aprovada em 2020, mas nunca foi colocada em prática. Segundo o ministro, as novas normas se destinam ao "aprimoramento da segurança, da transparência e da aleatoriedade do sistema de distribuição processual nesta Corte".

CPI do Crime e Gilmar Mendes

A decisão de Fachin foi dada em um processo aberto pela presidência da CPI do Crime Organizado.

Os senadores questionavam o fato do ministro Gilmar Mendes ter sido relator de um pedido da empresa Maridt Participações, de Dias Toffoli, para suspender as quebras de sigilo determinadas pela CPI.

A petição da Maridt foi anexada a um processo antigo do Supremo, relacionado à CPI da Covid, em um drible para direcionar o processo ao ministro Gilmar.

O ministro acatou o pedido e suspendeu a quebra dos sigilos fiscal e bancário da empresa de Toffoli, alvo de representação da Polícia Federal sobre as relações que mantinha com o banqueiro Daniel Vorcaro.

Na decisão, Fachin diz que não poderia analisar o mérito do pedido da CPI do Crime Organizado porque a comissão já conclui seus trabalhos e foi extinta.

O presidente do Supremo, porém, definiu que a regra de 2020 deve ser respeitada e determinou os novos procedimentos para evitar novos dribles à distribuição de processos no tribunal.

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