Cézar Feitoza
Cézar Feitoza

Coluna do Cézar

Jornalista com passagem nas redações da Folha de S.Paulo, Correio Braziliense, O Antagonista e rádios como BandNews e CBN. Seu foco abrange o Judiciário e as relações entre os poderes civis e militares.

Política

PF conclui pela segunda vez que não houve interferência de Bolsonaro no órgão

Delegado que assumiu caso rejeita tese da PGR de que achados em outros casos deveriam reabrir investigação

Cézar Feitoza
• Atualizado em

A Polícia Federal enviou ao STF (Supremo Tribunal Federal) um novo relatório em que diz que não há indícios de que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tenha interferido na corporação em favor de aliados.

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Essa é a segunda vez que a PF chega à mesma conclusão. O relatório foi enviado à PGR (Procuradoria-Geral da República), para avaliação.

"Ressalte-se, entretanto, que, posteriormente, boa parte dos mesmos agentes citados no âmbito da investigação realizada por meio do IPL 2021.0031208 – CCINT/CGCINT/DIP/PF passou a figurar em investigações também instauradas no Supremo Tribunal Federal, algumas das quais resultaram, inclusive, em condenações já transitadas em julgado", disse o delegado Carlos Henrique Pinheiro de Melo.

O delegado afirmou que a investigação sobre a suposta interferência de Bolsonaro na Polícia Federal estava delimitada a um "lapso temporal restrito" e a "período ainda incipiente de diversos fatos".

Ele concluiu que "sob a ótica das diligências tomadas em contemporaneidade com os fatos, não revelou informações capazes de justificar imputações penais".

A revisão do inquérito foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, em outubro de 2025. Pinheiro de Melo assumiu o caso no último ano, sendo o segundo delegado a chegar a mesma conclusão favorável a Bolsonaro.

Acusações de Moro

A investigação foi aberta em 2020, após o ex-juiz Sergio Moro deixar o governo Bolsonaro acusando o então presidente de tentar interferir na Polícia Federal.

Na época, Bolsonaro pressionou Moro a demitir o diretor-geral da PF, Maurício Valeixo, seu homem de confiança. Um dos motivos eram notícias de que deputados bolsonaristas eram investigados pela corporação.

O ministro da Justiça se indignou e deixou o governo. Ele entregou provas do que entendia ser a interferência de Bolsonaro na corporação, como mensagens de WhatsApp.

A Polícia Federal concluiu em 2022 que não havia crime cometido por Bolsonaro nos fatos investigados. O processo chegou a ser arquivado.

Em outubro do ano passado, porém, a PGR pediu a reabertura do inquérito diante da condenação de Bolsonaro pela tentativa de golpe de Estado.

O procurador-geral Paulo Gonet disse ser necessário que se "verifique com maior amplitude se efetivamente houve interferências ou tentativas de interferências nas investigações apontadas nos diálogos e no depoimento do ex-Ministro, mediante o uso da estrutura do Estado e a obtenção clandestina de dados sensíveis".

A conclusão da Polícia Federal foi enviada ao STF no dia 1º de abril, sob sigilo.

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