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Argentina classifica Guarda Revolucionária do Irã como organização terrorista

Governo atribuiu medida ao apoio do grupo ao Hezbollah, responsável por dois atentados no país

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Camila Stucaluc
01/04/2026, 08:42 • Atualizado em 01/04/2026, 08:42
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Presidente da Argentina, Javier Milei | Eduardo Valente/PL

Presidente da Argentina, Javier Milei | Eduardo Valente/PL

A Argentina classificou a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) como organização terrorista. O anúncio foi feito pelo gabinete do presidente Javier Milei na noite de terça-feira (31), em meio à guerra dos Estados Unidos e Israel, aliados de Buenos Aires, contra o Irã.

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O governo atribuiu a medida ao apoio da IRGC ao Hezbollah, grupo paramilitar com sede no Líbano, dizendo que o país foi vítima de dois atentados realizados pelo grupo, na década de 1990. Um deles envolveu um carro-bomba, que destruiu a Embaixada do Estado de Israel em Buenos Aires e deixou 29 mortos, e outro demoliu a sede da Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), matando 85 pessoas.

“As investigações judiciais e os trabalhos de inteligência determinaram que ambos os ataques foram planejados, financiados e executados com participação direta de altos funcionários do regime iraniano e de agentes da Guarda Revolucionária. Em virtude disso, a Justiça argentina emitiu alertas vermelhos da Interpol contra vários cidadãos iranianos”, disse o gabinete presidencial.

Agora, ao classificar a IRGC como grupo terrorista, o governo fica autorizado a aplicar sanções financeiras e restrições operacionais contra os militares. O objetivo é limitar a capacidade de atuação do grupo no país, bem como proteger o sistema financeiro argentino de ser utilizado para fins ilícitos.

“O presidente Javier Milei espera que essa decisão quite uma dívida histórica de mais de 30 anos com os familiares das vítimas e reafirma seu compromisso com o combate ao crime organizado e ao terrorismo. Este governo está determinado a que a República Argentina volte a se alinhar com a civilização ocidental, ao mesmo tempo em que condena e combate de forma direta aqueles que buscam destruí-la”, afirmou o gabinete.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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