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Trump diz acreditar que novo líder supremo do Irã está vivo, mas ferido

Mojtaba Khamenei não é visto publicamente desde que foi nomeado para o cargo, no último domingo (8)

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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse acreditar que o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, está vivo, mas ferido. O novo aiatolá é sucessor do pai, Ali Khamenei, que comandou o Irã por quase quatro décadas, morto num ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel.

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"Acho que ele provavelmente está vivo. Acho que ele está ferido, mas acho que ele provavelmente está vivo de alguma forma, sabe?", disse Trump em entrevista ao programa "The Brian Kilmeade Show", da Fox News.

As especulações sobre a condição e paradeiro de Mojtaba acontecem porque o religioso não é visto publicamente desde que foi nomeado como líder supremo pela Assembleia dos Especialistas, no último domingo (8). Seus primeiros comentários foram lidos na quinta-feira (12), por um apresentador de televisão.

Em meio ao cenário, um oficial comunicou à mídia internacional que Mojtaba havia sofrido ferimentos leves, mas continuava em suas funções. O mesmo foi dito pelo embaixador do Irã no Chipre, Alireza Salarian, que afirmou que o novo líder supremo sofreu ferimentos nas pernas, braços e mãos devido ao conflito em andamento. "Acho que ele está no hospital porque foi ferido”, disse, ao The Guardian.

Yousef Pezeshkian, filho e conselheiro do presidente Masoud Pezeshkian, por sua vez, afirmou que Mojtaba estava "seguro e em um local seguro", segundo fontes. “Ouvi dizer que o Sr. Mojtaba estava ferido. Perguntei a amigos que estavam em contato. Eles disseram: ‘Pela graça de Deus, eles estão seguros e não há problema’”, escreveu o conselheiro nas redes sociais.

Ameaças

Logo após o anúncio da Assembleia de Especialistas do Irã, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) afirmaram que continuarão perseguindo qualquer sucessor de Ali Khamenei, bem como os responsáveis pela escolha do novo líder supremo. Pelas redes sociais, eles acusaram o Irã de “tentar reconstruir o regime terrorista”.

A escolha também não foi bem aceita por Trump, que se disse "decepcionado", insistindo que os Estados Unidos participem da escolha do próximo líder do país. Questionado se Mojtaba era alvo de alguma tentativa de assassinato, o republicano respondeu que "não queria dizer isso". "Isso seria inapropriado. Mas veja bem, eu também já fui alvo de alguma tentativa de assassinato", disse.

A sugestão de interferência por parte de Washington foi repudiada pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, que defendeu que cabe ao povo iraniano e não ao presidente dos Estados Unidos escolher o novo líder do país. “Não permitimos que ninguém interfira em nossos assuntos internos. É responsabilidade do povo iraniano escolher seu novo líder", disse o político ao canal NBC.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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