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Irã intensifica ataques a petroleiros e explode duas embarcações no Golfo

Ação visa desestabilizar o mercado de energia global, na tentativa de pressionar EUA e Israel a encerrar o conflito

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Petroleiro Zefyros em chamas após ataque iraniano | Reprodução/Reuters

O Irã intensificou os ataques contra portos e embarcações petroleiras, em resposta à operação dos Estados Unidos e Israel contra o país. Na noite de quarta-feira (11), as tropas lançaram mísseis contra dois petroleiros estrangeiros que navegavam no Golfo Pérsico, próximo ao Iraque, conforme a imprensa local.

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Segundo a Organização Estatal de Comercialização de Petróleo do Iraque (SOMO, na sigla em inglês), as embarcações atingidas foram o Safesea Vishnu, que hasteiava uma bandeira das Ilhas Marshall, e o Zefyros, com a bandeira de Malta. Ao todo, 38 tripulantes foram resgatados dos petroleiros em chamas, enquanto uma pessoa morreu.

“A administração expressa seu profundo pesar pelo ataque a dois petroleiros operando em águas territoriais iraquianas. Esse incidente afeta negativamente a segurança e a economia do Iraque, e representa uma ameaça à segurança da navegação marítima e das atividades petrolíferas nas águas territoriais iraquianas”, disse a estatal iraquiana.

Em outra declaração, o diretor-geral da Companhia Geral para Portos do Iraque, Farhan al-Fartousi, informou que as operações em todos os terminais de petróleo no país estavam suspensas. Os portos comerciais, por sua vez, seguem abertos.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) já havia reivindicado outros três ataques no Estreito de Ormuz — rota petrolífera fechada por Teerã após o país ser atacado pelos Estados Unidos e Israel. As embarcações atingidas tinham bandeiras da Tailândia, das Ilhas Marshall e do Japão.

Os ataques iranianos contra petroleiros visam desestabilizar o mercado de energia global, na tentativa de interromper o conflito no Oriente Médio. Na quarta-feira (11), o porta-voz do comando militar do Irã, Ebrahim Zolfaqari, disse que o mundo deve se preparar para que o petróleo atinja US$ 200 por barril — preço geralmente fixado em US$ 90.

Questionado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá analisar “com muita atenção” a situação no Estreito de Ormuz, afirmando que “a região estava em ótimas condições”. Em declaração anterior, o republicano ameaçou o Irã com novos ataques caso a rota não fosse liberada, dizendo, inclusive, que considerava assumir o controle do estreito.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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