Mundo

Irã intensifica ataques a petroleiros e explode duas embarcações no Golfo

Ação visa desestabilizar o mercado de energia global, na tentativa de pressionar EUA e Israel a encerrar o conflito

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
12/03/2026, 06:47 • Atualizado em 12/03/2026, 06:47
compartilhar
Petroleiro Zefyros em chamas após ataque iraniano | Reprodução/Reuters

Petroleiro Zefyros em chamas após ataque iraniano | Reprodução/Reuters

O Irã intensificou os ataques contra portos e embarcações petroleiras, em resposta à operação dos Estados Unidos e Israel contra o país. Na noite de quarta-feira (11), as tropas lançaram mísseis contra dois petroleiros estrangeiros que navegavam no Golfo Pérsico, próximo ao Iraque, conforme a imprensa local.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Segundo a Organização Estatal de Comercialização de Petróleo do Iraque (SOMO, na sigla em inglês), as embarcações atingidas foram o Safesea Vishnu, que hasteiava uma bandeira das Ilhas Marshall, e o Zefyros, com a bandeira de Malta. Ao todo, 38 tripulantes foram resgatados dos petroleiros em chamas, enquanto uma pessoa morreu.

“A administração expressa seu profundo pesar pelo ataque a dois petroleiros operando em águas territoriais iraquianas. Esse incidente afeta negativamente a segurança e a economia do Iraque, e representa uma ameaça à segurança da navegação marítima e das atividades petrolíferas nas águas territoriais iraquianas”, disse a estatal iraquiana.

Em outra declaração, o diretor-geral da Companhia Geral para Portos do Iraque, Farhan al-Fartousi, informou que as operações em todos os terminais de petróleo no país estavam suspensas. Os portos comerciais, por sua vez, seguem abertos.

Mais cedo, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) já havia reivindicado outros três ataques no Estreito de Ormuz — rota petrolífera fechada por Teerã após o país ser atacado pelos Estados Unidos e Israel. As embarcações atingidas tinham bandeiras da Tailândia, das Ilhas Marshall e do Japão.

Os ataques iranianos contra petroleiros visam desestabilizar o mercado de energia global, na tentativa de interromper o conflito no Oriente Médio. Na quarta-feira (11), o porta-voz do comando militar do Irã, Ebrahim Zolfaqari, disse que o mundo deve se preparar para que o petróleo atinja US$ 200 por barril — preço geralmente fixado em US$ 90.

Questionado, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que irá analisar “com muita atenção” a situação no Estreito de Ormuz, afirmando que “a região estava em ótimas condições”. Em declaração anterior, o republicano ameaçou o Irã com novos ataques caso a rota não fosse liberada, dizendo, inclusive, que considerava assumir o controle do estreito.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: 'Bafo que te cozinha': a onda de calor extremo na Europa

'Bafo que te cozinha': a onda de calor extremo na Europa

Imagem da notícia: Tempestade atinge New Jersey um dia antes da final da Copa

Tempestade atinge New Jersey um dia antes da final da Copa

Imagem da notícia: Yamal x Messi: final da Copa terá duelo de gerações

Yamal x Messi: final da Copa terá duelo de gerações

Imagem da notícia: Instagram e Facebook enfrentam instabilidade neste domingo

Instagram e Facebook enfrentam instabilidade neste domingo

Imagem da notícia: 'Bafo que te cozinha': a onda de calor extremo na Europa

'Bafo que te cozinha': a onda de calor extremo na Europa

Imagem da notícia: Tempestade atinge New Jersey um dia antes da final da Copa

Tempestade atinge New Jersey um dia antes da final da Copa

Imagem da notícia: Yamal x Messi: final da Copa terá duelo de gerações

Yamal x Messi: final da Copa terá duelo de gerações

Imagem da notícia: Instagram e Facebook enfrentam instabilidade neste domingo

Instagram e Facebook enfrentam instabilidade neste domingo

Últimas notícias

Rússia faz um dos maiores ataques com mísseis contra Kiev

Bombardeio incluiu mais de 40 mísseis contra a capital; Ucrânia afirma ter abatido 108 dos 125 drones neste domingo (19)

Copa de 2026 escancarou a relação entre futebol e política

Da deportação de um árbitro às restrições impostas ao Irã, o torneio nos Estados Unidos expôs os limites da suposta neutralidade esportiva

Galvão Bueno narra última final de Copa após 52 anos

Voz histórica do futebol brasileiro se despede dos Mundiais neste domingo (19), na final entre Argentina e Espanha, com recordes e legado único

Argentina pode repetir feito que não acontece desde 1962

Atual campeã mundial, seleção argentina pode conquistar o bicampeonato consecutivo, marca que não é alcançada desde o Brasil de Pelé

Espanha x Argentina: veja tudo sobre a final da Copa 2026

Messi em busca do bicampeonato mundial. Yamal tentando conquistar a Copa aos 19 anos

Advogado é investigado por atropelar idoso e fugir em SP

Motorista é suspeito de atropelar motociclista, passar novamente sobre a vítima e fugir. Polícia pediu a prisão temporária