Ataque de drone iraniano atinge base militar do Reino Unido no Chipre
Apesar de equipamento ser desenvolvido por Teerã, regime não confirmou autoria do ataque


Camila Stucaluc
Um drone atingiu uma base militar do Reino Unido em Akrotiri, no Chipre, na madrugada desta segunda-feira (2). Segundo o porta-voz do governo, Constantinos Letymbiotis, o equipamento foi identificado como modelo Shahed, desenvolvido e fabricado no Irã. Não houve feridos.
“As autoridades competentes ativaram imediatamente os protocolos de segurança prescritos e estão monitorando a situação de perto, em coordenação contínua tanto com o Governo do Reino Unido quanto com a administração das bases britânicas. O Conselho de Segurança Nacional permanece em sessão contínua sob o Presidente da República”, disse Letymbiotis.
A base aérea de Akrotiri é a principal do Reino Unido para operações no Médio Oriente, e funciona como território britânico ultramarino soberano. Após o ataque, os trabalhadores de áreas não essenciais foram dispensados devido a possíveis novas ameaças. O mesmo foi dito para moradores das proximidades da base, que foram aconselhados a permanecer em casa até novo aviso.
Apesar de o drone ser de fabricação iraniana, Teerã não reivindicou a autoria do ataque. Os drones, contudo, foram lançados após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, autorizar os Estados Unidos a utilizarem bases britânicas para lançar ataques defensivos destinados ao Irã.
Na declaração, o premiê reforçou que não participa diretamente da ofensiva, justificando a decisão como medida de proteção a aliados. "O Irã está aplicando uma estratégia de terra arrasada, por isso apoiamos a autodefesa coletiva de nossos aliados e de nosso povo na região. Quero ser bem claro: todos nos lembramos dos erros do Iraque. E aprendemos essas lições. Não estivemos envolvidos nos ataques iniciais contra o Irã e não participaremos de nenhuma ação ofensiva agora”, disse.
O que está acontecendo no Irã?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”, disse.
Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano afirmou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.









