Ataque de drone iraniano atinge base militar do Reino Unido no Chipre
Apesar de equipamento ser desenvolvido por Teerã, regime não confirmou autoria do ataque


Drone iraniano Shahed-136 | Reprodução
Um drone atingiu uma base militar do Reino Unido em Akrotiri, no Chipre, na madrugada desta segunda-feira (2). Segundo o porta-voz do governo, Constantinos Letymbiotis, o equipamento foi identificado como modelo Shahed, desenvolvido e fabricado no Irã. Não houve feridos.
“As autoridades competentes ativaram imediatamente os protocolos de segurança prescritos e estão monitorando a situação de perto, em coordenação contínua tanto com o Governo do Reino Unido quanto com a administração das bases britânicas. O Conselho de Segurança Nacional permanece em sessão contínua sob o Presidente da República”, disse Letymbiotis.
A base aérea de Akrotiri é a principal do Reino Unido para operações no Médio Oriente, e funciona como território britânico ultramarino soberano. Após o ataque, os trabalhadores de áreas não essenciais foram dispensados devido a possíveis novas ameaças. O mesmo foi dito para moradores das proximidades da base, que foram aconselhados a permanecer em casa até novo aviso.
Apesar de o drone ser de fabricação iraniana, Teerã não reivindicou a autoria do ataque. Os drones, contudo, foram lançados após o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, autorizar os Estados Unidos a utilizarem bases britânicas para lançar ataques defensivos destinados ao Irã.
Na declaração, o premiê reforçou que não participa diretamente da ofensiva, justificando a decisão como medida de proteção a aliados. "O Irã está aplicando uma estratégia de terra arrasada, por isso apoiamos a autodefesa coletiva de nossos aliados e de nosso povo na região. Quero ser bem claro: todos nos lembramos dos erros do Iraque. E aprendemos essas lições. Não estivemos envolvidos nos ataques iniciais contra o Irã e não participaremos de nenhuma ação ofensiva agora”, disse.
O que está acontecendo no Irã?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no sábado (18). O bombardeio, que deixou mais de 200 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Na última semana, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
Em pronunciamento, Trump afirmou que a operação contra o Irã vai continuar até que todos os objetivos militares dos Estados Unidos sejam alcançados. Disse, também, que o país irá vingar a morte dos três militares durante a retaliação iraniana. "Eu faço um apelo à Guarda Revolucionária, aos militares do Irã, policiais: entreguem as suas armas e recebam total imunidade, ou encarem a morte certa”, disse.
Já à revista The Atlantic, o presidente norte-americano afirmou que a nova liderança iraniana manifestou interesse em negociar com Washington e que ele concordou em abrir diálogo. Questionado sobre quando as conversas devem ocorrer, respondeu que não poderia precisar uma data. A declaração, contudo, foi rejeitada pelo chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, que disse que o país não irá negociar com os Estados Unidos.















