Starmer autoriza uso de bases britânicas pelos EUA contra o Irã, mas nega participação em ofensiva
Premiê britânico afirma que medida é “defesa coletiva”, cita risco a 200 mil britânicos na região e diz que Reino Unido não integra ataques diretos.


Vicklin Moraes
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou neste domingo (1º) ter aceitado um pedido dos Estados Unidos para o uso de bases militares britânicas em ações classificadas como defensivas contra o Irã. Em pronunciamento publicado nas redes sociais, o premiê reforçou que Londres não participa diretamente de ofensivas contra Teerã, mas justificou a decisão como medida de proteção a aliados e cidadãos britânicos.
“Ontem, falei com vocês sobre a situação no Golfo e expliquei que o Reino Unido não estava envolvido nos ataques ao Irã. Isso continua sendo o caso”, afirmou. Segundo Starmer, nos últimos dois dias o Irã lançou ataques sustentados contra países da região que não participaram de ações militares contra o regime.
O premiê disse que aeroportos e hotéis que abrigam britânicos foram atingidos. De acordo com ele, há pelo menos 200 mil cidadãos do Reino Unido na região, entre residentes, turistas e pessoas em trânsito. Starmer pediu que todos registrem sua presença junto ao Ministério das Relações Exteriores e sigam as orientações oficiais de viagem.
Starmer também relatou que uma base militar no Bahrein foi alvo de ataque iraniano e que militares britânicos foram “quase atingidos”. Para o premiê, a postura de Teerã tornou-se “mais imprudente e perigosa para civis”.
Apesar da escalada, o líder britânico reiterou que a posição do Reino Unido é buscar uma solução negociada que leve o Irã a abandonar qualquer ambição de desenvolver armas nucleares. “Não estamos participando desses ataques”, declarou.
Ele confirmou, porém, que Washington solicitou permissão para utilizar bases britânicas com o objetivo específico de neutralizar mísseis na origem, seja em depósitos, seja em lançadores. O governo britânico decidiu aceitar o pedido sob o argumento de autodefesa coletiva e proteção de vidas britânicas, medida que, segundo Starmer, está em conformidade com o direito internacional.
O premiê acrescentou que aviões britânicos já atuam em operações defensivas coordenadas e que especialistas da Ucrânia trabalharão com técnicos britânicos para auxiliar países do Golfo na interceptação de drones iranianos.
Ao mencionar o histórico de intervenções no Oriente Médio, Starmer afirmou que o governo aprendeu “as lições do Iraque” e que o Reino Unido não se juntará a ações ofensivas. Ainda assim, sustentou que apoiar a defesa coletiva de aliados é um dever do governo britânico diante da ameaça considerada “urgente”.








