Política

PCC e CV: veja como decisão dos EUA pode impactar a eleição

Decisão dos Estados Unidos vira tema de embate entre Lula e Flávio Bolsonaro e pode influenciar o debate eleitoral, segundo especialistas

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SBT Brasil
30/05/2026, 23:10 • Atualizado em 31/05/2026, 02:43
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A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas deve ampliar a disputa política em torno da segurança pública e da soberania nacional na corrida presidencial de 2026.

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De um lado, o senador Flávio Bolsonaro afirma ter atuado junto ao presidente norte-americano Donald Trump para que as facções brasileiras fossem incluídas na lista de grupos terroristas. Do outro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defende a cooperação internacional no combate ao crime organizado, mas critica qualquer iniciativa que represente interferência externa em assuntos internos do Brasil.

Como a decisão pode impactar a eleição de 2026?

Para o cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB), Ricardo Caldas, o principal efeito político da medida é colocar a segurança pública no centro do debate eleitoral.

Segundo ele, independentemente do grau de influência exercido por Flávio Bolsonaro sobre a decisão norte-americana, o senador conseguiu associar sua imagem a um tema considerado prioritário por parte do eleitorado.

"O mais importante é que a questão passa a ocupar o centro das discussões dos candidatos à Presidência da República", afirmou o especialista.

Riscos para Flávio Bolsonaro

O cientista político e professor do Insper, Leandro Consentino, avalia que a repercussão da medida traz visibilidade ao senador, mas também pode gerar desgastes.

Na avaliação dele, a discussão sobre as facções pode reduzir momentaneamente a atenção sobre as investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador, Daniel Vorcaro. No entanto, o especialista afirma que eventuais conexões entre esses temas podem ampliar o desgaste político..

"Isso coloca um pouco de cortina de fumaça sobre as questões envolvendo o Banco Master, mas o feitiço pode virar contra o feiticeiro. A gente não sabe até que ponto isso pode evoluir para outras frentes. Já existem notícias sobre possíveis conexões entre o escândalo do Master e questões ligadas ao crime organizado. Ou seja, uma coisa pode acabar encontrando a outra e se tornar ainda mais danosa para ele."

O presidente Lula criticou a decisão do governo norte-americano e reforçou o discurso de defesa da soberania nacional. O petista também fez ataques à família Bolsonaro ao comentar o episódio.

Para os especialistas, ainda é cedo para medir se o argumento da soberania terá o mesmo impacto político observado em episódios recentes de atrito entre Brasil e Estados Unidos, como as discussões sobre tarifas comerciais.

Segundo Ricardo Caldas, o crescimento do crime organizado internacional exige cooperação entre países, o que pode limitar o alcance do discurso de soberania nesse tema específico.

"Estamos nos afundando diante do crime internacional e do crime organizado e, ao mesmo tempo, não queremos que ninguém nos ajude a combatê-los em nome da soberania nacional. Isso não faz o menor sentido."

Já Leandro Consentino avalia que o governo pode tentar associar a atuação da oposição a uma suposta tentativa de enfraquecer a posição internacional do Brasil. Para ele, tanto governo quanto oposição possuem argumentos que podem mobilizar seus respectivos eleitores.

"O governo tem um ativo importante ao acoplar essa questão comercial e dizer: 'Olha, isso não é algo pontual, nem uma questão que surgiu agora'. Os dois lados possuem determinados ativos e vantagens nas mãos. Tudo vai depender de como os acontecimentos vão evoluir daqui para frente."

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