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Fernando Iggnácio: ex-PMs são condenados a mais de 30 anos

Justiça do Rio condenou os dois irmãos pelo assassinato do bicheiro, morto em uma emboscada em 2020

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Antonio Souza
18/07/2026, 01:38 • Atualizado em 18/07/2026, 01:47
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Ex-PMs Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro | Reprodução

Ex-PMs Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro | Reprodução

A Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou, nesta sexta-feira (17), os irmãos e ex-PMs Pedro Emanuel e Otto Samuel D' Onofre Andrade Silva Cordeiro pelo assassinato do bicheiro Fernando Iggnácio. O crime ocorreu em novembro de 2020, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste da capital fluminense.

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O juiz Thiago Portes fixou a pena de Pedro Emanuel em 32 anos, 9 meses e 18 dias de prisão. Otto Samuel foi condenado a 31 anos, 5 meses e 6 dias. Ambos cumprirão a pena inicialmente em regime fechado.

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Segundo a denúncia do Ministério Público, Fernando Iggnácio foi morto logo após desembarcar de um helicóptero em um heliponto no Recreio dos Bandeirantes. Os executores teriam permanecido escondidos em um terreno vizinho e disparado diversos tiros de fuzil contra a vítima.

Na sentença, o magistrado destacou a "frieza e violência exagerada" da ação. O juiz também apontou que Pedro Emanuel, policial militar à época dos fatos, utilizou conhecimentos adquiridos na corporação para atuar em favor da organização ligada ao jogo do bicho.

A pena dos condenados foi aumentada porque o homicídio ocorreu diante da esposa de Fernando Iggnácio. Ela estava no helicóptero e presenciou o ataque a poucos metros de distância.

Outro réu pelo mesmo crime, Rodrigo Silva das Neves, já havia sido condenado em abril deste ano a mais de 32 anos de prisão.

Relembre o caso

Fernando Iggnácio foi executado em novembro de 2020 | Reprodução
Fernando Iggnácio foi executado em novembro de 2020 | Reprodução

O contraventor Fernando Iggnácio, um dos herdeiros do também contraventor Castor de Andrade, foi morto em novembro de 2020, ao desembarcar de um helicóptero, no Recreio dos Bandeirantes, zona oeste do Rio.

Em outubro de 2024, o bicheiro Rogério de Andrade foi preso apontado como mandante do crime. Ele e Fernando Iggnácio eram, respectivamente, sobrinho e genro de Castor de Andrade e disputavam a herança dos negócios criminosos do "maior bicheiro do Brasil".

Castor de Andrade foi o maior "capo" do jogo do bicho carioca nos anos 70 e construiu um verdadeiro império criminoso na Zona Oeste, que envolvia, além de pontos de jogo do bicho, máquinas caça-níqueis, bingos e cassinos clandestinos.

O antigo patrono da Mocidade Independente de Padre Miguel morreu em 1997, vítima de um ataque cardíaco, e teve a herança dividida em três: além de Rogério, sobrinho e braço direito de Castor, foram beneficiados o filho Paulo Roberto de Andrade e Fernando Iggnácio.

Disputa pela herança da contravenção

Um ano depois, em 1998, Paulo Roberto foi morto a tiros quando saia de sua empresa, na Barra da Tijuca. Rogério chegou a ser denunciado como mandante da morte, mas acabou absolvido.

A disputa familiar pelos pontos de jogo de bicho e pelo controle das máquinas caça-níqueis com Fernando Iggnácio causou uma série de atentados e centenas de homicídios.

Em 2010, Rogério foi vítima de um atentado a bomba. Ele e o filho, Diogo, de 17 anos, estavam em um carro de luxo na Avenida das Américas, também na Zona Oeste, quando uma bomba explodiu o veículo. O adolescente morreu na hora, enquanto o bicheiro ficou ferido no rosto e precisou fazer uma cirurgia no nariz.

Carnaval carioca

Como o tio, Rogério nutria grande paixão pelo carnaval carioca. Aos 61 anos, ele ocupava a posição de presidente de honra da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel. Sua esposa, Fabíola de Andrade, é rainha de bateria da agremiação.

O bicheiro era figura frequente em ensaios e desfiles da Mocidade. No carnaval de 2024, internautas especularam se Rogério desfilou vestido como o mascote da escola de samba, um Castor. Na época, ele cumpria prisão domiciliar, usava tornozeleira eletrônica e estava proibido de sair à noite.

As interações do mascote, que passou todo o desfile ao lado de Fabíola, geraram suspeitas na web. Veja abaixo:

Operações policiais

Em agosto de 2022, Rogério de Andrade foi preso pela Operação Calígula, apontado como líder de uma organização criminosa, integrada pelo filho Gustavo de Andrade, pelo ex-PM Ronnie Lessa, e de mais dois delegados suspeitos de facilitar as ações do grupo.

Andrade e o filho exerciam o comando do grupo criminoso realizando reuniões pessoais para a expansão de seus territórios de domínio. Eles também gerenciavam as atividades de casas de apostas. Isso permitiu aos acusados planejar a implementação de jogos de carta no bingo do quebra-mar, na Zona Oeste do Rio. Documentos apreendidos na operação revelaram, segundo o MP, o pagamento de propina a delegacias especializadas da Polícia Civil do Rio.

O bicheiro conseguiu o direito de prisão domiciliar, com o uso de tornozeleira eletrônica, mas em abril de 2024 o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que ele não precisava mais utilizar o equipamento ou fazer recolhimento noturno.

Rogério de Andrade foi levado à Cidade da Polícia nesta terça-feira (29) | Reprodução
Rogério de Andrade foi levado à Cidade da Polícia nesta terça-feira (29) | Reprodução

Em março deste ano, 20 policiais militares suspeitos de ligação com o contraventor foram detidos. Os agentes são apontados como seguranças de Andrade.

Há 20 dias, ele e o presidente da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, Flávio da Silva Santos, foram alvos de mandados de busca e apreensão em uma operação da Polícia Civil e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), por ligação com o assassinato de Fábio Romualdo Mendes em disputa pela exploração do jogo do bicho.

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