Economia

Conflito entre EUA e Irã pressiona ativos globais, dólar e petróleo, diz especialista

No Brasil, previsão é de maior pressão sobre o mercado acionário, com possibilidade de queda do Ibovespa

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Camila Stucaluc
01/03/2026, 11:03 • Atualizado em 01/03/2026, 11:03
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Bandeiras do EUA e Irã | Reprodução

Bandeiras do EUA e Irã | Reprodução

A escalada do conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã tende a aumentar a aversão ao risco nos mercados internacionais. Segundo o especialista em mercado financeiro e macroeconomia Cesar Queiroz, o cenário indica possível queda nas bolsas, fortalecimento do dólar, alta do petróleo diante do risco no Estreito de Ormuz e maior busca por ativos considerados seguros.

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“Historicamente, sempre que os Estados Unidos entram diretamente em um conflito armado, o mercado financeiro internacional passa a operar sob maior tensão. O que ocorre, na prática, é uma reprecificação de risco. As bolsas tendem a sentir primeiro, com maior volatilidade e pressão negativa nos principais índices. É um movimento clássico de aversão ao risco”, explica Queiroz.

Nesse ambiente, o dólar tende a se fortalecer. Isso porque, mesmo que a moeda norte-americana estivesse em uma dinâmica de desvalorização contínua desde janeiro de 2025, um cenário de instabilidade global costuma inverter essa trajetória. “O investidor busca proteção, e o dólar continua sendo um dos principais refúgios em momentos de tensão”, diz o especialista.

O ouro também volta ao radar, já que, em momentos de incerteza, o investidor mais cauteloso procura ativos que preservem valor. Tradicionalmente, o outro cumpre esse papel de proteção no curto prazo.

Outro ponto da escalada entre Estados Unidos e Irã está atrelado ao petróleo. Sempre que há conflito envolvendo o Golfo Pérsico, o mercado volta a precificar risco logístico. A principal preocupação é com o Estreito de Ormuz, já que mais de 33% do petróleo mundial transita pelo local. Qualquer ameaça de bloqueio, portanto, implica redução de oferta e, consequentemente, pressão de alta no preço do barril.

Em relação ao Brasil, Queiroz aponta para um cenário de maior pressão sobre o mercado acionário, com possibilidade de queda do Ibovespa e reação do dólar no mercado doméstico, especialmente se houver redução na oferta de moeda e saída de capital. Segundo ele, o mercado brasileiro fica mais exposto à conjuntura externa em momentos de estresse global.

Do ponto de vista de política monetária, isso pode trazer um desafio adicional para o Copom (Comitê de Política Monetária), do Banco Central. Se o conflito persistir ou escalar, um ambiente com dólar mais forte e petróleo mais caro dificulta a construção de um cenário confortável para iniciar um ciclo de cortes de juros. Com isso, a decisão passa a depender ainda mais do comportamento do câmbio e das expectativas.

“Ainda é cedo para conclusões definitivas. Estamos no primeiro momento do conflito. O mercado da próxima semana vai dar sinais mais claros sobre a intensidade da reação. Se houver mitigação e retomada das negociações, o impacto pode ser mais contido. Se houver prolongamento, o mercado tende a permanecer mais nervoso, com os preços reagindo diretamente aos desdobramentos do conflito”, finaliza o especialista.

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