Cidades

Caso Gritzbach: MP pede condenação de 11 em esquema do PCC

Promotores entregaram à Justiça a delação de Antônio Vinícius Gritzbach. morto em 2024, e solicitaram indenização de R$ 40 milhões por danos coletivos

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Fabio Diamante, Robinson Cerantula
30/05/2026, 22:00 • Atualizado em 31/05/2026, 02:40
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O Ministério Público de São Paulo (MPSP) entregou à Justiça a delação premiada de Antônio Vinícius Gritzbach, empresário ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC), executado em novembro de 2024 no Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos.

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No documento, os promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) pedem a condenação de 11 acusados e a absolvição de um delegado por falta de provas.

A delação de Gritzbach é considerada uma das principais peças da investigação que apura um suposto esquema de corrupção envolvendo policiais civis e integrantes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).

Os promotores pediram a condenação dos seguintes acusados:

Delegado

  • Fábio Baena Martins;

Investigadores

  • Eduardo Lopes Monteiro
  • Marcelo Marques de Souza, conhecido como "Bombom",
  • Marcelo Roberto Ruggieri,
  • Valdenir Paulo de Almeida, o "Xixo",
  • Valmir Pinheiro, apelidado de "Bolsonaro",
  • Rogério de Almeida Felício, o "Rogerinho",
  • Danielle Bezerra dos Santos;

Empresários

  • Ademir Pereira de Andrade e Robinson Granger Moura, conhecido como "Molly";

Advogado

  • Ahmed Hassan Saleh.

Segundo o Ministério Público, os acusados devem responder por crimes como organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

Os promotores solicitaram a absolvição integral do delegado Alberto Pereira Matheus Júnior, que havia sido denunciado por lavagem de dinheiro, corrupção e participação em organização criminosa.

De acordo com o parecer do Gaeco, não foi possível comprovar que os valores recebidos por ele de um dos investigadores envolvidos na investigação tinham origem criminosa. Por esse motivo, o Ministério Público entendeu que não há provas suficientes para sustentar uma condenação.

O que revelou a delação de Gritzbach?

Antes de ser assassinado, Gritzbach firmou acordo de colaboração com o Ministério Público e relatou a existência de um suposto esquema de corrupção entre policiais civis e integrantes do PCC.

As investigações conduzidas pela Polícia Federal também apontaram que alguns dos policiais investigados apresentavam patrimônio e movimentação financeira incompatíveis com os salários recebidos.

Os policiais civis denunciados respondem ao processo presos. A exceção é o delegado Fábio Baena Martins, que foi colocado em liberdade há dois meses por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes.

Além das condenações, o Ministério Público solicitou que cada um dos acusados seja condenado ao pagamento de uma indenização mínima de R$ 40 milhões por danos coletivos.

Os promotores também pediram a perda dos cargos públicos dos policiais envolvidos, caso haja condenação definitiva.

Caso Gritzbach

Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, empresário assassinado (Reprodução/SBT Brasil)
Antônio Vinicius Lopes Gritzbach, empresário assassinado (Reprodução/SBT Brasil)

O empresário Antônio Vinicius Lopes Gritzbach foi morto no dia 8 de novembro de 2024, no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. As investigações iniciais apontam para uma possível ordem do PCC (Primeiro Comando da Capital) para matar o empresário.

Gritzbach detalhou a operação dos traficantes do PCC em uma delação a promotores de Justiça. Investigações do Gaeco e do Ministério Público de São Paulo, mostram que cerca de R$ 50 milhões foram gastos somente em compra de imóveis, a maioria de luxo, como maneira de lavar o dinheiro do tráfico de drogas.

O empresário entregou ainda ao Ministério Público uma lista de supostos policiais civis corruptos. Ele afirmou que a corporação não investigou as denúncias porque um desses policiais tem um parente na cúpula da corregedoria da Polícia Civil.

Leia mais:

Alvo de ameaças

Após revelar informações sigilosas sobre o PCC, o empresário passou a ser alvo de ameaças de morte pela facção criminosa. Por se sentir em risco, ele pediu mais segurança ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e decidiu contratar policiais militares de forma particular para sua proteção.

No momento em que desembarcou no aeroporto, o empresário estava acompanhado por apenas um segurança, já que outros dois não compareceram devido a um suposto problema mecânico em um veículo.

Os policiais militares que faziam parte da equipe de segurança foram afastados das atividades operacionais. Eles tiveram os celulares apreendidos, assim como os dois carros usados na escolta da vítima. Os PMs prestaram depoimento à Polícia Civil e à Corregedoria da Polícia Militar.

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