Política

Brasil faz reunião com EUA e diz que tarifaço é injusto

Apesar de insistir em argumentos técnicos, Planalto projeta que decisão americana terá viés político e se prepara para tarifas de até 37,5%

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Hariane Bittencourt
Representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer | Reuters

Representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer | Reuters

A um dia da decisão dos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas aos produtos brasileiros, integrantes do grupo de trabalho formado por autoridades e técnicos dos dois países voltaram a se reunir na tarde desta terça-feira (14).

Pelo governo Lula (PT), participaram representantes dos ministérios do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e das Relações Exteriores, além de integrantes da Assessoria Especial da Presidência da República, setor comandado pelo ex-chanceler Celso Amorim.

Foi a quinta reunião de alto nível entre o ministro Márcio Elias Rosa e o representante de Comércio dos Estados Unidos, Jamieson Greer, desde 7 de maio, quando os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump decidiram criar um grupo de trabalho para tratar das questões comerciais entre os dois países.

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Em nota enviada à imprensa, o MDIC afirmou que o governo brasileiro voltou a contestar as medidas defendidas pelos Estados Unidos.

“Na reunião de hoje foi reiterado o caráter injusto da aplicação das recomendações já divulgadas, seja a resultante da Seção 301 específica para o Brasil, de sobretaxas de 25%, seja a de 12,5% (Seção 301 – trabalho forçado) aplicável a outras 59 economias”, informou o ministério.

Embora mantenha a estratégia de concentrar a negociação em argumentos técnicos, o Palácio do Planalto avalia que a decisão americana terá forte componente político. O governo brasileiro voltou a sustentar que as justificativas apresentadas por Washington - como o Pix e supostas falhas no combate à corrupção e ao desmatamento - não têm relação com práticas comerciais e, portanto, não embasam a adoção das novas tarifas.

O prazo para o anúncio da medida e da lista de produtos atingidos termina nesta quarta-feira (15). Caso o novo tarifaço seja confirmado, o governo brasileiro não descarta recorrer à Lei da Reciprocidade.

Segundo fontes próximas ao presidente, a atuação direta de Lula nas negociações, com uma eventual ligação para Donald Trump, segue fora do radar.

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