Política

Atlas diz que ação do PL contra pesquisa veio de erro do TSE

Partido acusa empresa de não cadastrar dados obrigatórios no prazo; Atlas alega ter cumprido exigência e que visualização está indisponível por falha no site

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Victor Schneider
15/07/2026, 23:05 • Atualizado em 15/07/2026, 23:45
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Sede do TSE | Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Sede do TSE | Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Após o Partido Liberal (PL) apresentar um pedido para impugnar outra pesquisa de intenção de voto, esta realizada em junho, a AtlasIntel disse nesta quarta-feira (15) que o erro apontado pelo partido decorre de um problema no sistema interno do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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O PL havia entrado com uma ação na Justiça Eleitoral alegando que a empresa teria descumprido o prazo de apresentação de um arquivo exigido pelo TSE com a especificação dos bairros, municípios, setores censitários e composição demográfica usados no levantamento. Como a pesquisa sob o registro BR-04582/2026 foi divulgada em 1º de julho, o envio desses dados deveria ter sido feito até o dia seguinte no sistema PesqEle, o que o partido diz nunca ter acontecido.

“Não se sabe onde aquela pesquisa foi feita, em quais municípios, com quais pessoas, em qual faixa etária. É uma pesquisa que sonegou deste Tribunal qualquer possibilidade de aferição da metodologia. É uma pesquisa obscura. É uma pesquisa pouco transparente. É uma pesquisa que impediu este Tribunal de exercer sua função legal de controle. É uma pesquisa cujos resultados, por tudo isso, geram fundada dúvida”, disse o PL na ação.

O partido pede ainda que a Corte Eleitoral passe a exigir que a divulgação da pesquisa só seja autorizada após o registro dos dados obrigatórios de transparência e fiscalização. "Isso porque, no intervalo entre a divulgação e a complementação dos documentos e o cumprimento das regras obrigatórias, a pesquisa já terá sido amplamente difundida e incorporada ao debate político", argumenta na ação.

Em sua defesa, a Atlas alegou em nota que submeteu os arquivos dentro do prazo. Com prints do sistema, o partido diz ser possível visualizar o PDF catalogado na área restrita às empresas, mas que os dados não refletiram na área aberta do portal, onde são feitas as consultas pelo público geral.

“As evidências disponíveis indicam que se trata de um problema de natureza técnica relacionado ao próprio sistema do TSE. Embora o arquivo tenha sido corretamente enviado e permaneça disponível na área restrita do sistema, ele deixou de aparecer na visualização pública do registro, comportamento incompatível com o funcionamento esperado da plataforma".
Imagem mostra upload dos arquivos na parte interna do sistema do TSE | Divulgação/AtlasIntel
Imagem mostra upload dos arquivos na parte interna do sistema do TSE | Divulgação/AtlasIntel
atlas-intel-2.png
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A Atlas afirmou que uma falha similar foi notada pela Vox Brasil em uma pesquisa impugnada no Paraná, com técnicos do TSE reconhecendo que o problema vinha de erro interno.

A empresa do CEO Andrei Roman se colocou à disposição para prestar esclarecimento à Justiça Eleitoral e ofereceu, inclusive, técnicos da própria Atlas para contribuir com ajustes necessários na plataforma.

“A AtlasIntel também entende que episódios dessa natureza evidenciam a oportunidade de aperfeiçoamento contínuo das plataformas digitais utilizadas para o registro e fiscalização das pesquisas eleitorais", diz a nota.

Depois da resposta da empresa, a equipe jurídica do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL a presidente, disse que as imagens apresentadas pela Atlas mostravam a data de acesso apenas nesta quarta e não tinham “valor probatório para comprovar o cumprimento das exigências legais".

A pesquisa, realizada de 26 e 30 de junho por meio de questionários online, mostrou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 48,8% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Flávio somava 42,3%. O levantamento captou os efeitos das críticas públicas feitas pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na semana anterior.

Em junho, o TSE já havia barrado a divulgação de outro levantamento da Atlas, também a pedido do PL. Na ocasião, o partido disse que a apresentação de áudios de Flávio com o então banqueiro Daniel Vorcaro e a ordem e redação das perguntas induzia os entrevistados a um voto contrário a Flávio, o que a Atlas negou.

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