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Brasil pode sofrer novas medidas dos EUA, diz ex-embaixador

Segundo Rubens Barbosa, o país deve continuar na mira de Washington por manter uma política externa autônoma e não aderir às iniciativas de Trump

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O ex-embaixador do Brasil, Rubens Barbosa, afirmou ao SBT News que os Estados Unidos podem adotar novas medidas contra o Brasil além do tarifaço, dentro da estratégia geopolítica do governo de Donald Trump para ampliar sua influência na América Latina. Segundo ele, o país tem ficado de fora de iniciativas defendidas por Washington, o que tende a aumentar os atritos entre os dois governos.

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Na avaliação de Barbosa, o Brasil "tem se recusado a participar de todas as iniciativas americanas", o que inclui propostas na área de segurança, mineração estratégica e outros temas considerados prioritários pelos Estados Unidos.

"O Brasil tem se recusado a participar de todas as iniciativas americanas. Essa questão do PCC e do Comando Vermelho como organização terrorista entra dentro da ideia americana do escudo para as Américas, defesa contra essas organizações que eles consideram terroristas. O Brasil está fora", afirmou em entrevista ao Poder Expresso.

Ele também citou outras frentes em que, segundo sua avaliação, o Brasil não acompanha os interesses americanos. "O Brasil está fora também de um acordo para a utilização dos minérios estratégicos. O Brasil tem o Pix que é independente dessas regulamentações, dessas cartas americanas."

Diversificação de mercado

Apesar disso, Barbosa afirmou que a economia brasileira tem reduzido sua dependência do mercado americano. Segundo ele, os Estados Unidos já representam menos de 10% das exportações brasileiras, enquanto o Brasil amplia acordos comerciais com outros parceiros.

"O Brasil tem uma infraestrutura muito mais sólida, muito mais diversificada, que não depende dos americanos", afirmou. Ele destacou ainda que o governo brasileiro "está com uma política muito acertada de diversificação de mercados", citando negociações com a União Europeia, EFTA, Canadá, Indonésia e Vietnã.

Na visão do diplomata, essa estratégia de diversificação pode ser interpretada pelos Estados Unidos como um desafio à política de influência regional de Washington. "Isso vai ser visto pelos americanos como uma confrontação a essa ideia de área de influência deles aqui na região."

Flávio nos EUA não teve efeito, avalia Barbosa

Ao analisar a atuação do senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos, Barbosa disse que a viagem não teve impacto sobre a decisão americana das tarifas. Para ele, "foi um gesto de política interna que não teve nenhum efeito" sobre a investigação comercial conduzida por Washington.

O ex-embaixador também avaliou que o governo brasileiro enfrenta dificuldades por não manter canais diretos de diálogo com a administração Trump. "Nós não temos canais de comunicação entre o Palácio do Planalto e a Casa Branca, entre o Itamaraty e o Departamento de Estado", pontuou.

"O governo conversou respondendo as investigações que foram apresentadas. Eram seis pontos e o Brasil respondeu, mas isso não tem nenhum efeito. Alguns países europeus resolveram nem ir a Washington responder, porque eles sabiam que isso era carta marcada do ponto de vista da administração americana", disse, opinando que a decisão dos EUA é política.

Sobre uma eventual resposta brasileira às tarifas, Barbosa afirmou ser contrário à aplicação da Lei da Reciprocidade Econômica. Em sua avaliação, uma retaliação poderia desencadear uma guerra comercial que o Brasil "não tem força para retaliar e depois ser contraretaliado". Em vez disso, defendeu que o país siga negociando para reduzir as tarifas e ampliar as exceções ao longo dos próximos meses.

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