Economia

Tarifaço dos EUA gera pessimismo na indústria, diz CNI

O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) caiu 2,3 pontos em julho, impulsionado por cenário externo

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Artur Maldaner
Indústria | Agência Brasil

Indústria | Agência Brasil

Em antecipação à possível retomada das tarifas americanas sobre produtos do Brasil, o Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) aponta para o agravamento do pessimismo no setor. Entre junho e julho o ICEI caiu 2,3 pontos, passando de 46,7 pontos para 44,4 pontos.

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O indicador está em seu pior patamar desde junho de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Os resultados também reforçam a sequência negativa do ICEI, que está em queda desde janeiro de 2025.

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Neste mês, são 19 meses de índice abaixo da linha dos 50 pontos. O ICEI vai de 0 a 100 pontos. Valores abaixo de 50 pontos indicam falta de confiança, enquanto valores acima de 50 pontos apontam confiança dos empresários industriais.

A pesquisa sobre as percepções dos empresários foi divulgada nesta segunda (13), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O mês de julho foi marcado pela queda de ambos índices que compõem o ICEI. O Índice de Condições Atuais, que mede a percepção dos industriais sobre a economia atual, recuou 0,7 ponto, para 41,6 pontos.

Já o Índice de Expectativas, que mede projeções para os próximos seis meses, caiu 3,1 pontos, registrando 45,8 pontos. É a maior queda do índice desde novembro de 2022.

Cenário externo preocupa

O ICEI mediu que, em julho, os setores menos confiantes com a situação presente e futura da economia foram o dos biocombustíveis e da metalurgia, ambos com 40,2 pontos, seguidos pelo setor de madeira, com 41,4 pontos e de couro, com 41,8.

Na análise de Marcelo Azevedo, gerente de análise econômica da CNI, a piora das expectativas pode ser explicada pelo cenário de incerteza de decisões externas.

“Tanto o acirramento da guerra no Oriente Médio, que ocorreu no início do mês, como também a eventual retomada de tarifas americanas sobre produtos brasileiros”, avaliou.

Segundo a CNI, as medidas de confiança dos empresários da indústria podem ser utilizadas para medir tendências no setor. Um período longo de pessimismo, por exemplo, pode-se traduzir em redução na empregabilidade, produção e investimentos.

Outros indicadores mostram uma desaceleração no setor industrial. Segundo levantamento do IBGE, em maio de 2026 a produção caiu 0,2% frente a abril, primeiro resultado negativo do ano, que via um crescimento da indústria nacional.

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