Guardian diz que Trump trata autonomia do Brasil como ofensa
Editorial do jornal britânico afirma que presidente dos EUA trata a soberania brasileira como barreira comercial e critica apoio do bolsonarismo à pressão
Caroline Vale
15/07/2026, 19:26 • Atualizado em 15/07/2026, 19:26
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Donald Trump / Brasil | reprodução Reuters/ Freepik
O jornal britânico The Guardian publicou um editorial no qual critica a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante da política brasileira e afirma que o republicano está transformando a soberania do Brasil em uma suposta infração comercial. O texto foi divulgado na véspera da decisão de Washington sobre a proposta de impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, prevista para esta quarta-feira (15).
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No editorial, o jornal argumenta que a ameaça tarifária está ligada não apenas a questões comerciais, mas também às decisões do Brasil para proteger suas instituições democráticas.
"A ameaça de tarifas de Donald Trump reformula a tentativa do Brasil de proteger sua democracia como prática comercial desleal – e dá ao bolsonarismo um palco em Washington", diz o periódico.
O texto lembra que, em junho, o Supremo Tribunal Federal decidiu ampliar a responsabilidade das plataformas digitais sobre conteúdos publicados por usuários, obrigando empresas como X e Meta a removerem discursos de ódio e conteúdos antidemocráticos em determinadas situações. Um mês depois, Trump propôs a sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras, alegando que as decisões da Justiça brasileira obrigavam empresas americanas de tecnologia a retirar conteúdos classificados por ele como "políticos".
O editorial também destaca a participação do senador Flávio Bolsonaro em audiência da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos na semana passada. Segundo o jornal, o parlamentar pediu que Washington adiasse qualquer decisão sobre as tarifas até a eleição presidencial brasileira de outubro, afirmando que poderá assumir o governo caso vença a disputa. Para o The Guardian, o gesto representou uma tentativa de se apresentar como "o presidente brasileiro preferido de Trump" e classificou a atitude dele como um "ato de audácia extraordinário".
"O Sr. Trump rejeita a proposta de Lula em defesa da soberania brasileira. Lula quer que o Brasil tenha poder para combater a desinformação antidemocrática. O Sr. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre a esfera informacional do país", afirma o editorial.
Outro ponto central do editorial é o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. O jornal afirma que a plataforma se tornou um exemplo de infraestrutura pública digital capaz de reduzir a dependência de redes financeiras estrangeiras, como Visa e Mastercard. Segundo o texto, "o verdadeiro problema não é o protecionismo, mas a autonomia", ao defender que o Brasil desenvolveu um sistema nacional de pagamentos e exerceu sua própria jurisdição sobre plataformas digitais dos Estados Unidos.
Ao analisar o cenário político brasileiro, o jornal afirma que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera as pesquisas eleitorais e ressalta sua trajetória política e programas de redução da pobreza. Em contraste, classifica o bolsonarismo como um movimento baseado em "antiesquerdismo simplista", políticas de endurecimento na segurança pública e pautas da extrema direita.
"Trump reinterpretou essa soberania brasileira como discriminação comercial desleal. É tão previsível quanto preocupante que o bolsonarismo esteja disposto a compactuar com isso", conclui o texto.
A publicação ocorre enquanto cresce a expectativa pela decisão do governo americano sobre a investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Caso a sobretaxa de 25% seja confirmada, levantamento do Global Trade Alert (GTA) analisado pelo SBT News aponta que o Brasil passará a ter a segunda maior tarifa média efetiva entre os principais fornecedores dos Estados Unidos, atrás apenas da China.
A alíquota média sobre produtos brasileiros poderá subir de 11,73% para 18,89%, elevando o país da 13ª para a segunda posição no ranking dos mais taxados pelos EUA.
O governo brasileiro rejeita as acusações feitas por Washington, sustenta que as medidas relacionadas às plataformas digitais e ao Pix são decisões soberanas e defende que eventuais disputas comerciais sejam resolvidas por meio das regras do sistema multilateral de comércio e do diálogo entre os dois países.
Guardian diz que Trump trata autonomia do Brasil como ofensaEditorial do jornal britânico afirma que presidente dos EUA trata a soberania brasileira como barreira comercial e critica apoio do bolsonarismo à pressãoMundo2026-07-15T19:26:19.786ZO jornal britânico The Guardian publicou um editorial no qual critica a postura do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, diante da política brasileira e afirma que o republicano está transformando a soberania do Brasil em uma suposta infração comercial. O texto foi divulgado na véspera da , prevista para esta quarta-feira (15). 📲 Receba as principais notícias do Brasil e do mundo no seu WhatsApp!e siga o canal do SBT News. No editorial, o jornal argumenta que a ameaça tarifária está ligada não apenas a questões comerciais, mas também às decisões do Brasil para proteger suas instituições democráticas. "A ameaça de tarifas de Donald Trump reformula a tentativa do Brasil de proteger sua democracia como prática comercial desleal – e dá ao bolsonarismo um palco em Washington", diz o periódico. O texto lembra que, em junho, o Supremo Tribunal Federal decidiu ampliar a responsabilidade das plataformas digitais sobre conteúdos publicados por usuários, obrigando empresas como X e Meta a removerem discursos de ódio e conteúdos antidemocráticos em determinadas situações. Um mês depois, Trump propôs a sobretaxa de 25% sobre importações brasileiras, alegando que as decisões da Justiça brasileira obrigavam empresas americanas de tecnologia a retirar conteúdos classificados por ele como "políticos". O editorial também destaca a participação do senador Flávio Bolsonaro em audiência da Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos na semana passada. Segundo o jornal, o parlamentar pediu que Washington adiasse qualquer decisão sobre as tarifas até a eleição presidencial brasileira de outubro, afirmando que poderá assumir o governo caso vença a disputa. Para o The Guardian, o gesto representou uma tentativa de se apresentar como "o presidente brasileiro preferido de Trump" e classificou a atitude dele como um "ato de audácia extraordinário". "O Sr. Trump rejeita a proposta de Lula em defesa da soberania brasileira. Lula quer que o Brasil tenha poder para combater a desinformação antidemocrática. O Sr. Trump acredita que os EUA deveriam ter jurisdição sobre a esfera informacional do país", afirma o editorial. Outro ponto central do editorial é o sistema brasileiro de pagamentos instantâneos, o Pix. O jornal afirma que a plataforma se tornou um exemplo de infraestrutura pública digital capaz de reduzir a dependência de redes financeiras estrangeiras, como Visa e Mastercard. Segundo o texto, "o verdadeiro problema não é o protecionismo, mas a autonomia", ao defender que o Brasil desenvolveu um sistema nacional de pagamentos e exerceu sua própria jurisdição sobre plataformas digitais dos Estados Unidos. Ao analisar o cenário político brasileiro, o jornal afirma que o e ressalta sua trajetória política e programas de redução da pobreza. Em contraste, classifica o bolsonarismo como um movimento baseado em "antiesquerdismo simplista", políticas de endurecimento na segurança pública e pautas da extrema direita. "Trump reinterpretou essa soberania brasileira como discriminação comercial desleal. É tão previsível quanto preocupante que o bolsonarismo esteja disposto a compactuar com isso", conclui o texto. A publicação ocorre enquanto cresce a expectativa pela decisão do governo americano sobre a investigação comercial conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Caso a sobretaxa de 25% seja confirmada, levantamento do Global Trade Alert (GTA) analisado pelo SBT News aponta que o Brasil passará a ter a segunda maior tarifa média efetiva entre os principais fornecedores dos Estados Unidos, atrás apenas da China. A alíquota média sobre produtos brasileiros poderá subir de 11,73% para 18,89%, elevando o país da 13ª para a segunda posição no ranking dos mais taxados pelos EUA. O governo brasileiro rejeita as acusações feitas por Washington, sustenta que as medidas relacionadas às plataformas digitais e ao Pix são decisões soberanas e defende que eventuais disputas comerciais sejam resolvidas por meio das regras do sistema multilateral de comércio e do diálogo entre os dois países.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/guardian-diz-que-trump-trata-autonomia-do-brasil-como-ofensa