Política

Fazenda mantém previsão de alta do PIB de 2026 em 2,3%

Estimativa para a inflação ficou acima do teto da meta; projeção da Selic subiu de 13% para 14% ao ano

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Caio Barcellos
15/07/2026, 18:05 • Atualizado em 15/07/2026, 18:05
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O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Reprodução/SBT News

O ministro da Fazenda, Dario Durigan | Reprodução/SBT News

A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve em 2,3% a previsão de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, mas elevou de 4,5% para 5,1% a estimativa de inflação para o ano. Os números foram divulgados nesta quarta-feira (15), no Boletim MacroFiscal.

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Segundo a SPE, a manutenção da projeção considera que a redução da taxa básica de juros será mais gradual. Embora a Selic esteja em trajetória de queda, ela parte de um patamar mais alto do que o previsto anteriormente, o que retarda os efeitos sobre o crédito, o consumo e os investimentos.

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Juros e inflação

A SPE passou a trabalhar com a Selic de 14% ao ano no fim de 2026. No boletim anterior, a previsão usada pela secretaria era de 13%.

Quando a taxa básica de juros fica elevada, o crédito tende a ficar mais caro, o que reduz o consumo e os investimentos e ajuda a conter a inflação. Ao mesmo tempo, juros altos também dificultam um crescimento mais forte da economia.

A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, está acima do limite perseguido pelo Banco Central (BC). A meta para é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um intervalo entre 1,5% e 4,5%.

Segundo a SPE, a revisão ocorreu principalmente por causa da alta dos alimentos e de aumentos maiores que os esperados nos preços de serviços e produtos industriais.

Também há um risco maior de ocorrência do El Niño, fenômeno climático que altera as condições de chuva e temperatura e pode prejudicar algumas lavouras. Uma oferta menor de alimentos tende a aumentar os preços para os consumidores finais nos supermercados.

Apesar da manutenção da estimativa da alta do PIB, a composição desse avanço mudou. A Fazenda elevou de 1,2% para 1,8% a previsão de expansão da agropecuária. Em sentido contrário, reduziu de 2,2% para 2,1% a estimativa para a indústria. A projeção para os serviços continuou em 2,4%.

Economia deve perder ritmo

A SPE calcula que o PIB tenha crescido 0,8% no segundo trimestre, em comparação com os três primeiros meses do ano. Caso a estimativa se confirme, haverá uma desaceleração em relação ao avanço de 1,1% registrado no primeiro trimestre, sobretudo por causa do setor agrícola.

“O forte resultado do primeiro trimestre foi amplificado pelo vetor agrícola, cuja safra recorde já se encontra praticamente consolidada, de modo que o impulso deve se dissipar, com a agropecuária desacelerando de 2,0% para 0,6%”, diz o argumento.

Já a indústria deve ter desacelerado de 1,2% para 0,8%. Os serviços, por outro lado, devem ter acelerado de 0,5% para 0,7%. O setor inclui atividades como comércio, transporte, bancos, restaurantes, tecnologia, educação e saúde.

Na comparação com o segundo trimestre de 2025, a Fazenda estima crescimento de 2,4% da economia brasileira.

Para 2027, a projeção de crescimento do PIB foi reduzida de 2,6% para 2,5%. As previsões para 2028, 2029 e 2030 foram mantidas em 2,5%, 2,6% e 2,7%, respectivamente.

Petróleo mais barato

A previsão para o preço médio do barril de petróleo em 2026 foi reduzida de US$ 91,25 para US$ 79,16, uma queda de 13,2%.

No entanto, as projeções foram fechadas em 6 de julho, não considerando os acontecimentos posteriores no conflito entre Estados Unidos e Irã. Uma nova escalada pode aumentar o preço do petróleo e pressionar novamente a inflação.

Contas públicas

Na área fiscal, a mediana das projeções do mercado indica déficit primário de R$ 58,08 bilhões em 2026. O resultado representa uma melhora de R$ 939,21 milhões em relação à estimativa de junho.

O resultado primário mostra a diferença entre receitas e despesas do governo, sem considerar os juros da dívida pública.

A legislação permite que R$ 64,4 bilhões em despesas sejam retirados do cálculo usado para verificar o cumprimento da meta fiscal. Com essas exclusões, o resultado seria positivo em R$ 6,28 bilhões, segundo exercício apresentado pela SPE.

A projeção do mercado para a Dívida Bruta do Governo Geral foi mantida em 83% do PIB em 2026. Para 2027, a estimativa continua em 86,5%.

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