Psol e Rede acionam PGR contra Flávio Bolsonaro
Parlamentares falam em risco à soberania após EUA classificar PCC e CV como terroristas


O senador Flávio Bolsonaro (PL/RJ) | Andressa Anholete/Agência Senado
Deputados federais do Psol e da Rede acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Eles pedem a abertura de investigação por suposto atentado à soberania nacional, após a atuação do parlamentar nos Estados Unidos.
A representação questiona a articulação de Flávio Bolsonaro junto ao governo Donald Trump para classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. O senador viajou a Washington nesta semana e disse ter defendido pessoalmente a medida em encontros com autoridades americanas.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou na quinta-feira (28) a inclusão das facções brasileiras na lista de organizações terroristas estrangeiras. A medida, segundo o secretário de Estado Marco Rubio, passa a valer em 5 de junho.
Para os parlamentares, a iniciativa pode abrir margem para sanções econômicas e ações baseadas na legislação antiterrorismo dos Estados Unidos. O grupo sustenta que Flávio Bolsonaro teria usado o mandato para incentivar interferência estrangeira em assuntos internos do Brasil.
O pedido é assinado por Chico Alencar, Duda Salabert, Fernanda Melchionna, Heloisa Helena, Luiza Erundina, Luizianne Lins e Sâmia Bonfim. Além da abertura de inquérito pela Polícia Federal, os deputados querem que o caso seja enviado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para análise de possível influência estrangeira no processo eleitoral.
O que diz a campanha de Flávio Bolsonaro
Em nota, o senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, afirmou que a representação tenta criminalizar a busca por cooperação internacional contra facções criminosas. Segundo ele, a iniciativa teve como objetivo “asfixiar as finanças” dos grupos e proteger a população da violência.
Marinho também disse que a soberania nacional não pode servir de “escudo” para organizações criminosas. A defesa política de Flávio sustenta que a articulação nos EUA faz parte de uma estratégia de combate ao crime organizado, e não de tentativa de intervenção estrangeira. Leia a nota completa:
"A representação do PSOL e da Rede contra o senador Flávio Bolsonaro é mais uma demonstração de que a esquerda brasileira tenta utilizar o Judiciário como extensão de seu projeto político. É inaceitável que, enquanto o Brasil sofre sob o domínio de facções criminosas, parlamentares se mobilizem para criminalizar o esforço de buscar cooperação internacional contra o terrorismo. O mesmo campo político que hoje clama por "soberania" foi o que, durante anos, viajou o mundo denunciando o próprio país e buscando interferência estrangeira por razões ideológicas. Se o crime que nos acusam é o de buscar apoio de nações amigas para asfixiar as finanças das facções e unir forças para proteger a população do terror e da violência, assumimos essa culpa com convicção. Enquanto a esquerda protege quem mantém relações de intimidade com o crime, nós continuaremos focados em desarticular as organizações que hoje dominam territórios e fazem reféns milhões de brasileiros. A soberania nacional serve para garantir a segurança do cidadão de bem, e não para servir de escudo a quem aterroriza o povo." Senador Rogério Marinho Coordenador-Geral da Pré-Campanha















