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Chanceler do Irã diz que chegou a "entendimento geral" com EUA sobre programa nuclear

Países deverão debater termos mais técnicos nas próximas reuniões, visando firmar um novo acordo

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Ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi | Reprodução

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse que chegou a um “entendimento geral” com os Estados Unidos sobre o programa nuclear iraniano. O diplomata se encontrou com representantes norte-americanos na quinta-feira (26), em Genebra, na Suíça, na terceira reunião sobre o assunto.

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Segundo Araghchi, as negociações terminaram com a identificação dos principais elementos para um possível acordo nuclear, o que levará os países a discutirem termos mais técnicos. A expectativa é que equipes especializadas se reúnam nos próximos dias em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

“Esta foi uma das nossas rodadas de negociações intensas até agora. Claro, ainda há divergências, mas ao menos alcançamos um entendimento geral sobre como resolver essas questões. Concordamos com o entendimento mútuo de continuar engajados em questões essenciais para o acordo, incluindo o fim das sanções e medidas relacionadas à energia nuclear”, disse Araghchi.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa dos Estados Unidos há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para desenvolver bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandado, Trump tenta pressionar o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Ameaça de invasão

As negociações atingiram um pico de tensão no início de fevereiro devido às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump. Ele disse cogitar uma operação militar no Irã caso os países não chegassem a um novo acordo nuclear, enviando uma frota militar liderada pelo porta-aviões USS Abraham Lincoln à costa iraniana.

Segundo o Centro para Estudos Internacionais Estratégicos, a dimensão da frota é a mesma da Operação Raposa do Deserto, uma campanha de bombardeios de quatro dias contra o Iraque, em 1998, ordenada após o regime de Saddam Hussein se recusar a cooperar com os inspetores nucleares da Organização das Nações Unidas (ONU).

Na última terça-feira (24), Trump acenou pela diplomacia, mas em tom ameaçador. Durante o discurso do Estado da União, o republicano voltou a acusar o Irã de perseguir ambições nucleares, dizendo que jamais permitirá que o país avance no tema.

“Eles já desenvolveram mísseis capazes de ameaçar a Europa e nossas bases no exterior e trabalham para construir mísseis que em breve poderão alcançar os Estados Unidos. Minha preferência é resolver esse problema por meio da diplomacia, mas uma coisa é certa: jamais permitirei que o maior patrocinador do terrorismo no mundo tenha uma arma nuclear”, disse.

A fala foi criticada pelo Irã, que acusou o presidente norte-americano de realizar uma “campanha sinistra de desinformação” contra o país, com inspiração nazista. Apesar de defender a diplomacia, o regime iraniano já afirmou que está preparado para responder “proporcionalmente” se for alvo de uma agressão militar pelos Estados Unidos.

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