Fachin pede união do Judiciário contra o crime organizado
Presidente do STF reforçou ainda a importância de ações integradas dos órgãos de segurança e do governo para fazer a asfixia financeiras das facções
O presidente do STF e do CNJ, Edson Fachin | Gustavo Moreno/CNJ
O ministro Edson Fachin, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), disse nesta terça-feira (14) que o combate ao crime organizado depende de ações coordenadas, inteligentes e integradas do Poder Judiciário.
A declaração foi feita na reunião inaugural da Rede Nacional de Magistrados com Competência em Criminalidade Organizada, organizada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também presidido pelo ministro.
Fachin afirmou que as organizações criminosas têm se modernizado nos últimos anos e que o objetivo da rede é mirar a estrutura financeira e tecnológica desses grupos. Ele citou também as bets ilegais, que funcionam como uma grande fonte ilícita de recursos e são usadas para lavagem de dinheiro.
“A criminalidade organizada contemporânea não mais se estrutura nos moldes hierárquicos tradicionais. Ela se reinventa por meio da apropriação de infraestruturas tecnológicas e financeiras sofisticadas, valendo-se de plataformas digitais, criptoativos, arranjos societários transnacionais e, de modo especialmente preocupante, do mercado de apostas eletrônicas”, afirmou.
Fachin se reunirá com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, nesta quarta-feira (15), no gabinete da presidência do STF, para tratar sobre o tema do mercado clandestino de apostas.
Além da união do Judiciário, o presidente do CNJ também prezou pela cooperação entre Receita Federal, Banco Central, Ministério Público e polícias para asfixiar as facções criminosas. É uma alinhamento com a posição do governo Lula (PT), que tem impulsionado as operações conjuntas contra essas organizações.
“A criminalidade organizada desafia permanentemente o Estado de Direito e as instituições democráticas. Sua crescente sofisticação, a capacidade de articulação em âmbito nacional e internacional, o emprego intensivo de recursos tecnológicos e financeiros e a diversificação de suas atividades geram insegurança”, declarou.
Parte do discurso de Fachin foi voltado à defesa da magistratura, que tem sido alvo de escrutínio crescente da sociedade, que cobra maior transparência e controle de gastos. O ministro, inclusive, criou em junho um grupo para discutir uma reforma do Judiciário visando a modernização do sistema atual.
Durante sua fala, ele afirmou que os magistrados são alvos frequentes de ataques de grupos criminosos que buscam prejudicar as ações judiciais. Fachin disse que as ameaças miram na verdade a independência do poder e do Estado de Direito.
“Combater o financiamento do crime organizado e proteger as magistradas e os magistrados são, na verdade, duas faces da mesma política pública”, disse o ministro
“Agradeço a cada magistrada e a cada magistrado que aceitou integrar esta Rede. Sei que essa participação exige dedicação adicional e espírito público. Mas também sei que cada contribuição aqui oferecida terá alcance muito maior do que sua realidade local. Cada experiência compartilhada poderá aperfeiçoar a atuação de dezenas de colegas em todo o país”, completou.
A rede de combate tem quatro pilares. São eles:
- compartilhamento de inteligência em ações de rastreamento de ativos digitais e quebra de sigilo bancário e telemático;
- qualificação técnica da magistratura para compreender a estrutura financeira dos criminosos;
- celeridade para evitar choque de ações em diferentes comarcas;
- uniformização jurisprudencial entre os órgãos da justiça.













