Economia

Petróleo atinge maior preço em um mês com guerra

A escalada reacende o temor de que o cessar-fogo entre os dois países tenha se rompido de vez

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Exame.com
14/07/2026, 12:17 • Atualizado em 14/07/2026, 12:17
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Barris de petróleo | Reprodução

Barris de petróleo | Reprodução

Os preços do petróleo disparam nesta terça-feira (14), para o patamar mais alto em quatro semanas. Movimento foi provocado pela retomada dos confrontos entre Estados Unidos e Irã e pelo risco em torno do fluxo do Estreito de Ormuz, que caiu ao menor nível em dois meses.

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A escalada reacende entre investidores o temor de que a trégua fechada em junho entre os dois países tenha se rompido de vez, devolvendo ao mercado um prêmio de risco que parecia estar indo embora, segundo a Reuters.

Por volta das 5h18 (horário de Brasília), o contrato futuro do Brent para setembro subia US$ 2,77, equivalente a 3,33%, para US$ 86,07 o barril, depois de oscilar entre US$ 82,99 e US$ 86,70 na sessão.

O West Texas Intermediate (WTI) para agosto, referência de preços nos EUA, avançava 2,69%, para US$ 80,24, com mínima de US$ 77,91 e máxima de US$ 81,11.

O Brent segue, assim, no maior nível desde 12 de junho, e o WTI, no mais alto desde 16 de junho. Os dois contratos haviam recuado depois que Washington e Teerã assinaram, em 17 de junho, um memorando de entendimento para encerrar o conflito.

Cessar-fogo parece ter chegado ao fim

A analista do banco ANZ, Soni Kumari, vê que, apesar de as potências terem estabelecido um cessar-fogo, "isso não durou nem algumas semanas", disse à Reuters. "Essa é, portanto, a preocupação que o mercado está tentando precificar neste momento."

"Acreditamos que o pico da escalada já ficou para trás, mas existem riscos de alta para os preços do petróleo caso essas interrupções persistam, o que manterá as cotações na faixa de US$ 85 a US$ 90", acrescentou.

O presidente dos EUA, Donald Trump, reimpôs um bloqueio naval a embarcações iranianas e chegou a propor cobrar, nos últimos dias, uma taxa de 20% para garantir a segurança de navios que cruzam Ormuz.

Ataques atingem petroleiros em Ormuz

O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou, ainda, na segunda-feira, 13, que dois petroleiros do país foram atingidos por mísseis de cruzeiro iranianos na faixa sul do Estreito, em águas territoriais de Omã.

Um tripulante indiano morreu e outros oito ficaram feridos no ataque. Dados de navegação divulgados no mesmo dia mostraram que o número de petroleiros passando pelo local caiu para o menor nível em dois meses.

Além disso, o Citi apontou que cresceu a probabilidade de o regime iraniano abandonar de vez o cessar-fogo, ao menos até depois das eleições de meio de mandato nos EUA, o que, conforme divulgou a agência, tende a manter os preços do petróleo altos.

Já o Irã garante que suas exportações seguem normalmente. O ministro do petróleo do país, Mohsen Paknejad, disse que os embarques continuam de forma regular.

Tensão se espalha para o Mar Vermelho

O conflito ganhou também uma nova frente com o envolvimento do movimento "houthi", do Iêmen, que disparou mísseis contra a Arábia Saudita após acusar o reino de bombardear um aeroporto sob seu controle.

O gestor de carteiras da Gabelli Funds, Simon Wong, alertou para o risco de contágio. "Se os houthis estenderem seus ataques às exportações de petróleo bruto da Arábia Saudita no Mar Vermelho, isso poderá gerar (ainda mais) incertezas sobre os fluxos de petróleo da região", segundo a Reuters.

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