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Colombiana morre após batalha por suicídio assistido

Segundo o Noticias Caracol, psicóloga de 30 anos buscava o procedimento, mas optou pela eutanásia após meses à espera de uma decisão judicial

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Naiara Ribeiro
14/07/2026, 14:34 • Atualizado em 14/07/2026, 14:38
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Catalina Giraldo Silva | Reprodução Noticias Caracol

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A psicóloga colombiana Catalina Giraldo, de 30 anos, morreu por eutanásia em 9 de julho, após quase dez meses à espera de uma decisão judicial sobre o pedido para ter acesso ao suicídio assistido. O caso foi divulgado pelo telejornal colombiano Noticias Caracol, que acompanhou a disputa na Justiça.

Catalina havia sido diagnosticada com transtorno depressivo maior grave e persistente, transtorno de personalidade borderline e transtorno de ansiedade. Ela dizia conviver havia cerca de dez anos com um sofrimento que não diminuiu mesmo após diferentes tratamentos.

Ao longo desse período, passou por cerca de 40 combinações de medicamentos, anos de psicoterapia, terapia eletroconvulsiva e infusões de cetamina. Desde 2019, também havia sido internada nove vezes durante crises agudas.

O pedido de Catalina sempre foi pelo suicídio assistido, procedimento em que o próprio paciente administra o medicamento, com acompanhamento médico. A prática foi descriminalizada pela Corte Constitucional da Colômbia em 2022, mas ainda não foi regulamentada no país.

Sem regras que permitissem a realização do procedimento e diante da demora por uma resposta definitiva da Justiça, ela decidiu recorrer à eutanásia, que já é regulamentada pelo sistema de saúde colombiano. Nesse caso, o medicamento é administrado por um profissional de saúde.

Horas antes da eutanásia, Catalina disse ao veículo colombiano que havia encontrado tranquilidade ao saber que seu sofrimento teria um fim. “Estou muito calma. Não me sentia assim há muitos anos. É um enorme alívio saber que o meu sofrimento não vai durar para sempre, que posso pará-lo, que posso dizer: ‘já chega’”, afirmou.

Embora dissesse estar tranquila, ela contou que aceitar a eutanásia foi difícil, já que havia passado meses defendendo outro procedimento. “Recusei-me a pedir a eutanásia porque senti que estava traindo esta luta, que não estava sendo fiel aos meus princípios. Não sinto que estou desistindo; sinto que agora estou passando parte da responsabilidade para outros”, disse.

Catalina defendia o suicídio assistido porque acreditava que essa opção preservava sua autonomia até o fim da vida. Para ela, ter a possibilidade de administrar a própria medicação, sob supervisão médica, era uma parte essencial da decisão.

A disputa na Justiça

O sistema de saúde colombiano negou o pedido de Catalina sob o argumento de que não havia regras específicas para autorizar o suicídio assistido. Com o apoio do advogado Lucas Correa Montoya, ela levou o caso à Justiça para tentar garantir o acesso ao procedimento e abrir caminho para outras pessoas na mesma situação.

Catalina esperava que a Corte Constitucional analisasse o caso e determinasse a regulamentação do suicídio assistido. A decisão, porém, não saiu antes de sua morte.

Na última entrevista, ela pediu que sua morte não encerrasse a discussão. “Vou morrer nas próximas horas, mas este processo não morre comigo. Há pessoas que precisam dele com urgência e prioridade; há pessoas que sofrem e cometem suicídio todos os dias”, afirmou.

Catalina também fez um apelo para que a Corte Constitucional analisasse o caso mesmo após sua morte e tratasse a discussão como uma questão de saúde mental e de acesso a uma morte digna. “Espero que os juízes compreendam que esta é uma luta pela saúde mental e por uma morte digna para muitas pessoas que precisam de uma morte assistida segura”, disse.

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