Trump diz que EUA podem encerrar guerra contra Irã em até 3 semanas
Presidente afirma que retirada militar não depende de acordo e condiciona saída à neutralização da ameaça nuclear iraniana


Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (31) que o país pode encerrar a campanha militar contra o Irã nas próximas semanas. Segundo ele, a retirada pode ocorrer em um prazo de “duas ou três semanas”.
A declaração foi dada a jornalistas no Salão Oval, na Casa Branca, e representa o sinal mais claro até agora de que o governo norte-americano pretende colocar fim ao conflito, que já dura cerca de um mês.
Trump indicou que a retirada pode acontecer em breve, mas sem uma data exata definida: “Estaremos saindo muito em breve”, afirmou. “Dentro de duas semanas, talvez duas semanas, talvez três.”
Trump também afirmou que um acordo diplomático não é condição para o fim da operação militar: “O Irã não precisa fazer um acordo comigo”, disse ao ser questionado por jornalistas.
O presidente americano reiterou que a principal condição é que o Irã não tenha capacidade de desenvolver uma arma nuclear no curto prazo. De forma contundente, ele declarou que o país precisa ser neutralizado militarmente nesse aspecto.
O que está acontecendo entre EUA x Irã?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









