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Líder supremo do Irã diz que assassinatos de comandantes não abalarão o país

Declaração de Mojtaba Khamenei ocorreu após o chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica ser atingido por um ataque israelense

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Mojtaba Khamenei foi escolhido novo líder supremo do Irã | Wikimedia Communs

O Líder Supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, afirmou na segunda-feira (6) que os assassinatos de comandantes do regime por parte dos Estados Unidos e Israel não abalarão o país. A declaração ocorreu por meio de um comunicado, divulgado pela mídia estatal.

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No texto, Khamenei lamentou a morte do chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica do país, Majid Khademi — atingido por um ataque aéreo israelense em Teerã. O militar, que serviu o regime iraniano por quase 50 anos, faz parte do grupo de autoridades de alto escalão assassinadas por Tel Aviv nas últimas semanas. Além dele, integram a lista:

Ao citar Khademi, o líder supremo iraniano elogiou as décadas de "serviço silencioso" do militar, que “atuou defendendo a segurança, a defesa e os interesses nacionais do Irã”. No texto, ele frisou que tais perdas não enfraquecerão a determinação da nação iraniana ou das Forças Armadas do país.

“As fileiras inabaláveis ​​dos combatentes e lutadores no caminho da verdade no Irã islâmico, juntamente com as Forças Armadas abnegadas, formam uma frente tão imponente e profundamente enraizada que o terrorismo e o crime não conseguem sequer abalar sua determinação pelos ideais jihadistas”, escreveu.

Khamenei não é visto publicamente desde que foi nomeado como líder supremo pela Assembleia dos Especialistas, em 8 de março, dias após a morte de seu pai, Ali Khamenei, atingido no primeiro dia de ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel. Seus primeiros comentários como chefe do país foram lidos por um apresentador de televisão, assim como declarações posteriores.

O cenário gerou especulações sobre as condições e paradeiro de Khamenei. O embaixador do Irã na Organização das Nações Unidas (ONU), contudo, afirmou que a ausência ocorre por "considerações de segurança", em meio a série de assassinatos. O mesmo foi dito pelo Ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, que reforçou que o líder iraniano está "com boa saúde e gerenciando plenamente os assuntos" do país.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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