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Israel mata chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária do Irã

Majid Khademi foi atingido por um bombardeio aéreo em Teerã; militar estava há menos de um ano no cargo

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Majid Jademi, chefe de inteligência da Guarda Revolucionária do Irã | Wikimedia Communs

O chefe de Inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Majid Khademi, foi morto em um ataque aéreo em Teerã, nesta segunda-feira (6). O óbito foi informado pelas Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês), que assumiram a autoria do ataque, e confirmado pelo regime iraniano.

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Khademi estava no cargo há menos de um ano. O militar, que serviu a Guarda Revolucionária por quase 50 anos, assumiu a chefia de inteligência em junho de 2025, logo após a morte de Mohammad Kazemi, durante a Guerra de 12 dias entre Israel e Irã.

"Khademi foi uma figura-chave para reunir inteligência [militar] utilizada para avançar e executar atividades terroristas contra Israel. Ele também participou de tentativas de atingir indivíduos americanos e era responsável por monitorar civis iranianos como parte da repressão do regime a protestos internos", disseram as IDF.

Em vídeo, o ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, classificou Khademi como "uma das três autoridades de mais alto escalão da Guarda Revolucionária do Irã". Segundo ele, o militar era “um dos comandantes mais graduados" do grupo, com "ampla experiência militar" acumulada ao longo de "muitos anos".

A morte de Khademi segue uma série de assassinatos de autoridades de alto escalão do regime iraniano por parte de Israel. Nas últimas semanas, as tropas de Tel Aviv anunciaram a morte de cinco autoridades. Foram elas:

Apesar dos óbitos, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os Estados Unidos e Israel não conseguirão desestabilizar o regime. “A República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura", disse o político, ao jornal Al Jazeera.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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