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Irã rebate Trump e alerta para "retaliação devastadora" caso EUA ataquem alvos civis

País afirmou que “movimentos imprudentes” do presidente norte-americano estão arrastando Washington para “um inferno vivo”

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Camila Stucaluc
06/04/2026, 06:44 • Atualizado em 06/04/2026, 06:44
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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump | Divulgação/White House

O Irã alertou no domingo(5) para uma “retaliação devastadora” caso os Estados Unidos ataquem alvos civis no país. A declaração ocorreu após o presidente Donald Trump prometer atingir usinas de energia e pontes em Teerã, caso o Estreito de Ormuz não seja reaberto até terça-feira (7).

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"Se ataques a alvos civis se repetirem, as próximas etapas de nossas operações ofensivas e retaliatórias serão muito mais devastadoras e abrangentes", diz o comunicado do Comando Militar Central iraniano, citado pela Radiodifusão da República Islâmica do Irã (IRIB).

A ameaça de Trump também foi condenada pelo presidente do parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf. Pelas redes sociais, o político afirmou que os “movimentos imprudentes” do republicano estão arrastando os Estados Unidos para “um inferno vivo”, dizendo que ele estava sendo influenciado pelo primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

“Toda a nossa região vai pegar fogo porque você [Trump] insiste em seguir as ordens de Netanyahu. Não se engane: você não ganhará nada com crimes de guerra. A única solução real é respeitar os direitos do povo iraniano e acabar com esse jogo perigoso”, escreveu Baqer Qalibaf.

Rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz está praticamente fechado desde o fim de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel iniciaram uma operação coordenada contra o Irã, visando restringir a capacidade nuclear do país. Em retaliação, Teerã também iniciou ataques contra embarcações estrangeiras, o que vem pressionando a economia global, sobretudo devido à alta do petróleo.

Em meio ao cenário, Trump pediu a ajuda a aliados para garantir a passagem de petroleiros no estreito. Inicialmente, os países negaram o pedido, temendo uma escalada do conflito. Na última semana, contudo, países europeus e o Japão disseram estar “prontos” para ajudar a liberar a passagem pela rota marítima.

As medidas, contudo, envolveriam ações coordenadas, como a retirada de minas impostas pelo Irã, e não num confronto direto com Teerã — o que desagradou Trump. Na última terça-feira (31), o republicano subiu o tom, sobretudo contra o Reino Unido, dizendo que os países deveriam “tomar coragem e ir buscar seu próprio petróleo” no estreito.

“Criem coragem, vão até o Estreito e simplesmente o tomem. Vocês terão que aprender a lutar por si mesmos, os Estados Unidos não estarão mais lá para ajudá-los, assim como vocês não estiveram lá para nos ajudar. O Irã foi, essencialmente, dizimado. A parte difícil já passou. Vão buscar seu próprio petróleo”, escreveu o presidente norte-americano, nas redes sociais.

Rússia diz que EUA devem abandonar "linguagem de ultimatos"

No domingo (6), a Rússia divulgou um comunicado no qual disse que os Estados Unidos deveriam abandonar “a linguagem dos ultimatos" com o Irã e retomar o caminho das negociações. O texto veio após conversa telefônica entre o Ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, e seu homólogo no Irã, Abbas Araghchi.

“A parte russa expressou esperança de que os esforços feitos por vários Estados para desescalar as tensões em torno do Irã, no interesse de uma normalização sustentável e de longo prazo da situação no Oriente Médio. Foi enfatizada a necessidade de parar imediatamente ataques imprudentes e ilegais contra infraestruturas civis, industriais e energéticas”, disse o governo russo.

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