Justiça dos EUA condena ex de galerista assassinado no Rio
Para Corte, norte-americano Daniel Sikkema foi autor das facadas que mataram Brent Sikkema, em 2024, no Jardim Botânico; promotoria pede prisão perpétua

Daniel Sikkema foi condenado pela justiça dos Estados Unidos pelo assassinato do galerista Brent Sikkema, de 75 anos, seu ex-marido, no Brasil.
Brent foi encontrado morto a facadas em janeiro de 2024 na casa onde passava férias, no bairro do Jardim Botânico, zona sul do Rio de Janeiro.
Nesta sexta-feira (22), um júri federal norte-americano considerou Daniel culpado em três acusações ligadas à conspiração para matar o galerista. A sentença ainda será definida, mas a promotoria pediu prisão perpétua.
Segundo a acusação, Daniel e Brent enfrentavam um processo de divórcio conturbado quando Daniel teria contratado o cubano Alejandro Triana Prevez para cometer o assassinato.
De acordo com os promotores, Daniel enviou cerca de US$ 9 mil a Alejandro antes e depois do crime. A investigação também aponta que ele mentiu a amigos e autoridades ao afirmar que não conhecia o suspeito.
O que disse a defesa?
A defesa de Daniel Sikkema negou a acusação e afirmou que os pagamentos feitos a Alejandro eram referentes a serviços prestados ao casal em Cuba.
Os advogados também alegaram que Daniel mentiu sobre conhecer o cubano porque estava em estado de pânico após a morte do ex-marido.
Alejandro Triana Prevez foi preso no Rio de Janeiro poucos dias após o assassinato e segue detido aguardando julgamento no Brasil.
A defesa do cubano afirmou que ele acredita que a condenação de Daniel representa um reconhecimento de que o ex-marido do galerista teria sido o mandante do crime.
Relembre o caso Brent Sikkema

O galerista Brent Fay Sikkema, de 75 anos, dono de uma galeria de arte em Nova York, nos Estados Unidos, foi encontrado morto em sua residência na zona sul do Rio de Janeiro, no dia 15 de janeiro de 2024.
Brent era um conhecido galerista de arte contemporânea nos Estados Unidos e mantinha uma residência no Brasil.
Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que o suspeito, o cubano Alejandro Triana Prevez, entra e sai da casa da vítima, no bairro do Jardim Botânico.
No vídeo, também é possível ver o homem saindo de um carro por volta das 4h no dia do crime. O suspeito abre a porta da casa do norte-americano sem qualquer dificuldade. Uma perícia na maçaneta revelou um tipo de cadeado com código.
Cerca de 15 minutos depois, ele deixa a casa e segue em direção ao veículo. Alejandro também foi visto retirando um par de luvas das mãos.
Quatro dias depois, a polícia localizou e prendeu o cubano como principal suspeito de assassinar o galerista. Ele foi encontrado em um posto de combustíveis entre as cidades de Uberaba e Uberlândia, no Triângulo Mineiro.
Em depoimento, Alejandro afirmou à polícia que agiu a mando de Daniel Sikkema, ex-marido da vítima. O caso inicialmente era tratado como latrocínio — roubo seguido de morte —, mas o cubano disse que não levou nada da casa da vítima.
Daniel Sikkema foi preso nos Estados Unidos no dia 21 de março de 2024, suspeito de fraude em passaporte. Após pagar fiança, ele passou a cumprir prisão domiciliar com uso de tornozeleira eletrônica.
O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público dos EUA. Daniel Sikkema foi indiciado como autor intelectual e principal interessado no crime.
Segundo testemunhas, Daniel, que também é cubano, não aceitava uma separação amigável e exigia seis milhões de dólares — cerca de R$ 30 milhões —, além de uma pensão elevada, para permitir que Brent visse o filho do casal, de 14 anos.















