Mundo

Irã confirma morte de comandante responsável por fechar o Estreito de Ormuz

Alireza Tangsiri foi atingido por um ataque aéreo israelense perto da cidade de Bandar Abbas, no sul do país

Imagem da noticia Irã confirma morte de comandante responsável por fechar o Estreito de Ormuz
Comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri | Divulgação/Guarda Revolucionária do Irã

A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã confirmou, nesta segunda-feira (30), a morte do comandante da Marinha, Alireza Tangsiri. Em comunicado divulgado pela mídia estatal, o grupo informou que o militar foi atingido por um ataque aéreo israelense perto de Bandar Abbas, no sul do Irã, na última quinta-feira (26).

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Tangsiri era responsável por executar o fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial. A suspensão parcial do trajeto ocorreu em retaliação à operação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, visando pressionar o setor econômico e energético dos países.

No comunicado, a Guarda Revolucionária afirmou que “Tangsiri morreu devido à gravidade de seus ferimentos". O grupo enfatizou que, apesar da ausência do comandante, as tropas continuam desferindo “golpes devastadores” contra embarcações não autorizadas no estreito, ressaltando que “não descansará até que o inimigo seja completamente destruído”.

As Forças de Defesa de Israel reivindicarem o ataque que matou Tangsiri em 26 de março. Na data, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou que o chefe de Inteligência da Marinha da Guarda iraniana, Behnam Rezaei, também foi morto no bombardeio — o que ainda não foi confirmado pelo regime iraniano.

A morte de Tangsiri segue uma série de assassinatos de autoridades de alto escalão do regime iraniano por parte de Israel. Nas últimas semanas, as tropas de Tel Aviv anunciaram a morte de quatro autoridades, sendo: Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica; Esmail Khatib, ministro da Inteligência; Ali Larijani, chefe de segurança; e Gholamreza Soleimani, chefe da força paramilitar Basij (braço da Guarda Revolucionária Islâmica).

Apesar das mortes, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os Estados Unidos e Israel não conseguirão desestabilizar o regime. “A República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura", disse o político, ao jornal Al Jazeera.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

Últimas Notícias