Mundo

Israel mata chefe da Marinha do Irã que fechou Estreito de Ormuz, diz jornal

Alireza Tangsiri foi morto em um ataque aéreo na cidade de Bandar Abbas, segundo oficial israelense

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
26/03/2026, 10:04 • Atualizado em 26/03/2026, 10:04
compartilhar
Comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri | Divulgação/Alireza Tangsiri no X

Comandante da Marinha da Guarda Revolucionária do Irã, Alireza Tangsiri | Divulgação/Alireza Tangsiri no X

O comandante da Marinha da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, Alireza Tangsiri, foi morto em um ataque aéreo na cidade de Bandar Abbas, nesta quinta-feira (26). A informação foi divulgada por oficial israelense, que falou em condição de anonimato ao jornal Times of Israel.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Segundo o veículo, Tangsiri era responsável por executar o fechamento do Estreito de Ormuz, rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial. A suspensão parcial do trajeto ocorreu em retaliação à operação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, visando pressionar o setor de energia dos países.

Israel e Irã ainda não se pronunciaram oficialmente sobre a morte de Tangsiri. Caso seja confirmado, o óbito seguirá uma tendência de assassinatos de autoridades de alto escalão do regime iraniano.

Apenas na última semana, as tropas de Tel Aviv anunciaram a morte de quatro autoridades. Foram elas: Ali Mohammad Naini, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica; Esmail Khatib, ministro da Inteligência; Ali Larijani, chefe de segurança; e Gholamreza Soleimani, chefe da força paramilitar Basij (braço da Guarda Revolucionária Islâmica).

“Não vão nos desestabilizar”

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que os Estados Unidos e Israel não conseguirão desestabilizar o sistema político de Teerã com o assassinato de autoridades. Em entrevista ao jornal Al Jazeera, o diplomata afirmou que “a presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”.

“Não sei por que os americanos e os israelenses ainda não entenderam este ponto: a República Islâmica do Irã possui uma estrutura política forte, com instituições políticas, econômicas e sociais estabelecidas. A presença ou ausência de um único indivíduo não afeta essa estrutura”, disse Abbas Araqchi. “Se o ministro das Relações Exteriores viesse a ser morto, inevitavelmente haveria outra pessoa para ocupar o cargo", acrescentou.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Desemprego mantém estabilidade e marca 5,6% em maio

Desemprego mantém estabilidade e marca 5,6% em maio

Imagem da notícia: Reprovação no ensino médio público cai 62% em três anos

Reprovação no ensino médio público cai 62% em três anos

Imagem da notícia: Operação policial no DF mira tráfico e desvio de cetamina

Operação policial no DF mira tráfico e desvio de cetamina

Imagem da notícia: BC decreta liquidação da Sefer Investimentos

BC decreta liquidação da Sefer Investimentos

Imagem da notícia: Desemprego mantém estabilidade e marca 5,6% em maio

Desemprego mantém estabilidade e marca 5,6% em maio

Imagem da notícia: Reprovação no ensino médio público cai 62% em três anos

Reprovação no ensino médio público cai 62% em três anos

Imagem da notícia: Operação policial no DF mira tráfico e desvio de cetamina

Operação policial no DF mira tráfico e desvio de cetamina

Imagem da notícia: BC decreta liquidação da Sefer Investimentos

BC decreta liquidação da Sefer Investimentos

Últimas notícias

Polícia mira grupo que abastecia facções com munições no RJ

Investigação aponta compra ilegal de mais de 10 mil munições com documentos falsos de CACs; operação ocorre em Rio das Pedras

Brasil x Japão: DF decreta ponto facultativo na segunda (29)

Governadora Celina Leão (PP) tomou medida após trânsito do Distrito Federal "parar" na última quarta (24), dia do jogo da seleção contra a Escócia

Justiça mantém prisão de Oruam após defesa citar tuberculose

Juíza negou o pedido de revogação da prisão preventiva e determinou avaliação médica caso o rapper, considerado foragido, seja preso

Frio, geada e chuva forte: veja a previsão desta sexta

Sul segue com amanhecer gelado, enquanto a chuva mantém o tempo instável no Sudeste e se intensifica no litoral do Nordeste

Jogos de hoje (26) da Copa do Mundo 2026: veja horários

França, Espanha, Bélgica e Uruguai entram em campo na última sexta-feira da fase de grupos da Copa do Mundo de 2026

RD do Congo eleva número de mortos por ebola para 304

Com mais de 1,1 mil casos confirmado, 95% dos leitos hospitalares do país estão ocupados