Mundo

Israel intensifica ofensiva contra Hezbollah e ataca capital do Líbano

Bombardeios deixaram ao menos 6 mortos e mais de 20 feridos; moradores foram aconselhados a evacuar região

Avatar de Camila Stucaluc
Camila Stucaluc
Israel intensifica ofensiva contra Hezbollah e ataca o centro de Beirute | Reprodução/Reuters

Israel intensifica ofensiva contra Hezbollah e ataca o centro de Beirute | Reprodução/Reuters

As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) intensificaram a operação contra o grupo Hezbollah, no Líbano. Nesta quarta-feira (18), mísseis atingiram o centro da capital do país, Beirute, matando ao menos seis pessoas e deixando outras 26 feridas.

Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo paramilitar lançar drones contra Tel Aviv, em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos no Irã.

Desde então, as tropas israelenses atuam sobretudo no sul do Líbano, onde o Hezbollah é dominante. Além dos ataques aéreos, os militares avançam por terra, a fim de “eliminar ameaças”. Nesta manhã, o Exército emitiu um novo alerta de evacuação na região, desta vez mencionando bairros em Beirute.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

“Os ataques aéreos continuam enquanto as Forças de Defesa de Israel operam com força significativa na área. Portanto, e por preocupação com sua segurança, reiteramos nosso apelo urgente para que evacuem suas casas imediatamente. Qualquer pessoa próxima a elementos do Hezbollah, suas instalações ou seus meios de combate está colocando sua vida em risco”, disse.

Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, 912 pessoas já morreram e outras 2.221 ficaram feridas na ofensiva israelense. O primeiro-ministro Nawaf Salam lamentou os registros, dizendo que “o Líbano entrou em uma guerra que não queria”.

"Dirijo-me a vocês hoje, com Beirute sob bombardeio assim como seus subúrbios, e nosso Sul e Bekaa. Não podemos, de forma alguma, aceitar que o Líbano volte a ser uma arena aberta para as guerras dos outros. Estamos trabalhando 24 horas por dia para acabar com esta guerra e permitir que vocês retornem para suas casas o mais rápido possível, de forma segura e digna”, disse Salam.

O premiê acrescentou que, para tentar conter a situação, proibiu a atuação do Hezbollah no Líbano, exigindo que os militantes do grupo entreguem suas armas ao governo. Disse, também, que o presidente Joseph Aoun “lançou iniciativas de negociações”.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

Últimas notícias