Israel intensifica ofensiva contra Hezbollah e ataca capital do Líbano
Bombardeios deixaram ao menos 6 mortos e mais de 20 feridos; moradores foram aconselhados a evacuar região


Camila Stucaluc
As Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) intensificaram a operação contra o grupo Hezbollah, no Líbano. Nesta quarta-feira (18), mísseis atingiram o centro da capital do país, Beirute, matando ao menos seis pessoas e deixando outras 26 feridas.
Israel e Hezbollah voltaram a trocar hostilidades no início de março, encerrando o cessar-fogo firmado em novembro de 2024. Os ataques começaram após o grupo paramilitar lançar drones contra Tel Aviv, em retaliação à operação coordenada entre Israel e Estados Unidos no Irã.
Desde então, as tropas israelenses atuam sobretudo no sul do Líbano, onde o Hezbollah é dominante. Além dos ataques aéreos, os militares avançam por terra, a fim de “eliminar ameaças”. Nesta manhã, o Exército emitiu um novo alerta de evacuação na região, desta vez mencionando bairros em Beirute.
“Os ataques aéreos continuam enquanto as Forças de Defesa de Israel operam com força significativa na área. Portanto, e por preocupação com sua segurança, reiteramos nosso apelo urgente para que evacuem suas casas imediatamente. Qualquer pessoa próxima a elementos do Hezbollah, suas instalações ou seus meios de combate está colocando sua vida em risco”, disse.
Segundo o Ministério da Saúde do Líbano, 912 pessoas já morreram e outras 2.221 ficaram feridas na ofensiva israelense. O primeiro-ministro Nawaf Salam lamentou os registros, dizendo que “o Líbano entrou em uma guerra que não queria”.
"Dirijo-me a vocês hoje, com Beirute sob bombardeio assim como seus subúrbios, e nosso Sul e Bekaa. Não podemos, de forma alguma, aceitar que o Líbano volte a ser uma arena aberta para as guerras dos outros. Estamos trabalhando 24 horas por dia para acabar com esta guerra e permitir que vocês retornem para suas casas o mais rápido possível, de forma segura e digna”, disse Salam.
O premiê acrescentou que, para tentar conter a situação, proibiu a atuação do Hezbollah no Líbano, exigindo que os militantes do grupo entreguem suas armas ao governo. Disse, também, que o presidente Joseph Aoun “lançou iniciativas de negociações”.
O que está acontecendo no Oriente Médio?
O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".
As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.









