Política

Em podcast, Zema defende que crianças possam trabalhar no Brasil: "Nós vamos mudar isso aí"

Após repercussão negativa, pré-candidato à Presidência foi às suas redes e fez posts e vídeo defendendo flexibilização apenas para jovens

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Zema, ex-governador de MG e pré-candidato à Presidência, em entrevista a podcast | Reprodução/YouTube

Romeu Zema (Novo), pré-candidato à Presidência da República, publicou neste sábado (2) mensagens e vídeo na rede social X (ex-Twitter) defendendo flexibilização das regras trabalhistas para que jovens e adolescentes possam trabalhar. As postagens vieram como resposta à repercussão de suas falas, no dia anterior, em que defendeu que crianças pudessem trabalhar no Brasil.

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Em entrevista ao podcast Inteligência Ltda, apresentado por Rogério Vilela e veiculado no Dia do Trabalhador, o ex-governador de Minas Gerais afirmou que "infelizmente, no Brasil, se criou essa ideia de que jovem não pode trabalhar".

"Eu trabalho desde que aprendi a contar. Hoje não sei, mas quando era criança, era permitido tirar Carteira de Trabalho aos 14 anos. Assim que fiz 14, eu tirei", explicou ao podcast, reforçando que começou a trabalhar ajudando o pai.

O político ponderou que "o estudo é prioritário", mas afirmou que "toda criança pode estar ajudando com questões simples, que estão ao alcance delas". Ele ainda culpou a esquerda por uma suposta falta de flexibilização no trabalho infantil.

As falas provocaram reações negativas nas redes sociais, o que obrigou Zema a voltar ao tema para se explicar. Em três postagens neste sábado, o ex-governador evitou se referir a crianças. Deu ênfase às palavras "adolescentes" e "jovens" ao defender flexibilização das regras trabalhistas. "Vamos parar com essa hipocrisia", disse.

"Eu defendo, sim, dar oportunidades de trabalho para adolescentes, porque educação e trabalho digno é [sic] o que forma caráter, disciplina e futuro. No Brasil, isso já é permitido a partir dos 14 anos, como aprendiz. Mas precisamos ampliar essas oportunidades com proteção, sem atrapalhar a escola, como já acontece em muitos países desenvolvidos", falou no vídeo.
"Milhões de jovens já trabalham hoje, mas na informalidade, sem regra, sem nenhuma proteção. Somos um país que finge que protege os jovens e as crianças. Essa que é a verdade. E eu não tenho medo de dizer isso, não. Quando adolescente não encontra o caminho da educação e do trabalho, sabe quem é que oferece oportunidade pra ele? O crime. As facções já têm plano de carreira prontinho pra recrutar os adolescentes", acrescentou.
"A escolha é muito simples. Ou a gente vira as costas e deixa o jovem à própria sorte ou a gente abre as portas pra ele aprender trabalhar de forma honesta e construir o seu futuro. Chega de hipocrisia, gente", concluiu o político.

O que diz a lei

A Constituição de 1988 proíbe trabalho infantil para menores de 16 anos. Entre 14 e 16, jovens podem emitir a Carteira de Trabalho para atuar na condição de menor aprendiz, com critérios específicos de proteção, jornada reduzida e exigência de matrícula escolar.

Em setembro de 2025, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o Brasil registrou 1,650 milhão de crianças e adolescentes entre 5 e 17 anos em situação de trabalho infantil no ano anterior, 2024.

O contingente representa 4,3% da população nessa faixa etária. "O resultado aponta 34 mil jovens a mais nessa condição em relação ao ano anterior, quando a proporção foi a menor da série histórica (4,2%). Entre essas crianças e adolescentes, 1,195 milhão realizavam atividades econômicas e 455 mil produziam apenas para próprio consumo", disse o órgão à época.

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