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Irã lança novos ataques contra Israel em retaliação a morte de chefe de segurança

Ali Larijani foi bombardeado enquanto estava indo visitar a filha em Teerã; ataque também deixou outros 2 mortos

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Camila Stucaluc
18/03/2026, 06:34 • Atualizado em 18/03/2026, 11:03
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Irã lançou um novo ataque de drones contra Israel | Reprodução/Reuters

Irã lançou um novo ataque de drones contra Israel | Reprodução/Reuters

O Exército do Irã lançou uma nova onda de ataques contra Israel nesta quarta-feira (18). A ação acontece em retaliação à morte do chefe de segurança Ali Larijani, bombardeado em um ataque de Tel Aviv contra a capital iraniana, Teerã.

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Em comunicado, as Forças de Defesa de Israel (IDF, na sigla em inglês) confirmaram a identificação de mísseis lançados contra todo o território israelense, incluindo Tel Aviv, onde duas pessoas morreram na noite anterior. Os militares aconselharam a população a se abrigar em bunkers, enquanto tentavam interceptar as ameaças.

“Os sistemas de defesa estão operando para interceptar a ameaça. Nos últimos minutos, o Comando da Frente Interna emitiu uma diretriz preliminar diretamente para telefones móveis nas áreas relevantes. A saída do espaço protegido só será permitida após receber uma diretriz explícita”, disseram as IDF.

A morte de Larijani, que liderava o Conselho Supremo de Segurança Nacional, foi confirmada pelo regime iraniano na noite de terça-feira (17). Segundo as autoridades, ele estava indo visitar a filha na periferia leste de Teerã quando foi atingido por um ataque aéreo israelense. O filho de Larijani e seu vice, Alireza Bayat, também morreram no bombardeio.

Após a confirmação, o Irã prometeu vingança. Amir Hatami, comandante-em-chefe do exército iraniano, afirmou que a resposta à morte de Larijani seria "decisiva", acrescentando que "o sangue deste mártir e de outros” seriam vingados.

Os Estados Unidos também foram ameaçados pelo regime iraniano. Apesar de não estar envolvido na morte de Larijani, Washington atua em cooperação com Israel no conflito contra o Irã. À agência Tasnim., Ali Abdollahi, comandante do Quartel-General Central Khatam al-Anbiya do Irã, afirmou que o presidente Donald Trump “deve esperar surpresas” em um ataque “mais devastador do que imagina”.

O que está acontecendo no Oriente Médio?

O Irã foi alvo de um ataque coordenado entre Estados Unidos e Israel no 28 de fevereiro. O bombardeio, que deixou mais de 500 mortos, ocorreu em meio às negociações de Teerã com Washington sobre um novo acordo nuclear.

Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.

Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.

Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.

Dias antes do ataque, representantes iranianos e norte-americanos se encontram na Suíça para debater um novo acordo nuclear. Eles haviam classificado o encontro como positivo, dizendo que o próximo passo envolveria equipes especializadas de ambos os países em Viena, na sede da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Na manhã de sábado, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, resultando em novos bombardeios, desta vez em parceria com Israel. Em retaliação aos ataques, Teerã lançou mísseis contra Israel e atacou bases militares norte-americanas no Oriente Médio. Um ataque direto aos Estados Unidos também foi prometido pelos iranianos.

O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. A ação resultou em um comunicado conjunto entre França, Alemanha e Reino Unido, que sugeriram a possibilidade de entrar no conflito para "a defesa de seus interesses e de seus aliados".

As hostilidades entre Irã e Estados Unidos escalaram para o Estreito de Ormuz. Situada entre o Irã e Omã, a região é um ponto estratégico por ser a principal rota de saída para cerca de 20% do petróleo mundial. Por esse motivo, confrontos militares na região levantam sérias preocupações sobre a segurança energética e a estabilidade do mercado global de petróleo, o que pressiona a economia.

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